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Rascunho de carta para [?] - 14/08/1867

Paris, 14 de agosto de 1867.

Senhora,

O senhor Allan Kardec recebeu hoje a carta que a senhora lhe enviou e, como ele sai hoje à noite em viagem, é-lhe impossível lhe responder; ele me encarrega de o substituir e de lhe dizer que ele recebeu, com efeito, uma carta sua já há muito tempo e à qual ele respondeu, mas o endereço que a senhora lhe deu era tão pouco claro que é bem possível que sua carta não tenha lhe chegado.

Ele não pôde compreender claramente o sentido e o propósito de sua carta de hoje; ademais, ele está tão ocupado, e as cartas que recebe são tão numerosas, que ele somente pode dar muito pouco tempo a cada uma em particular; ele se encontra assim forçado a negligenciar aquelas cartas que exigiriam um estudo especial para serem compreendidas. Se a senhora lhe desse doravante a honra de lhe escrever, ele lhe pede que gentilmente faça com que ele saiba de uma maneira clara e precisa o propósito que apresenta. O que lhe parecia mais claro na sua carta é a sua profissão de fé moral e religiosa, e que ele não pode senão aprovar. Quanto à doutrina espírita em si, parece-lhe que a senhora não a compreende suficientemente, e ele só pode lhe incentivar a estudá-la com cuidado, pois há erros evidentes em sua maneira de avaliar a intervenção dos Espíritos.

A senhora diz que está apenas por um par de dias em Lichtenthal; ora, sua carta não chegando senão pela intermediação de um impressor, é mais do que provável que a senhora já tenha partido quando a carta chegar; apesar disso, penso que será encaminhada a sua nova residência. Em todo caso, como o senhor Allan Kardec vem apenas uma vez por semana a Paris, é muito difícil que ele possa responder imediatamente.

Aceite, por favor, senhora, a expressão dos meus sentimentos mais distintos.

O endereço do Senhor Allan Kardec é 59 [ileg.] e Passagem Sainte-Anne.

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Paris 14 août 1867.

Madame,

M. A.K. a reçu aujourd’hui la lettre que vous lui avez adressée, et, comme il part ce soir pour un voyage, il lui est impossible de vous répondre ; il me charge de le suppléer et de vous dire qu’il a en effet reçu une lettre de vous il y a déjà fort longtemps et à laquelle il a répondu, mais l’adresse que vous lui donniez était si peu claire qu’il est fort possible que sa lettre ne vous soit pas parvenue.

Il n’a pu comprendre clairement le sens et le but de votre lettre d’aujourd’hui ; il est d’ailleurs tellement occupé, et <les lettres>, qu’il reçoit sont si nombreuses, qu’il ne peut donner que fort peu de temps à chacune en particulier ; il se trouve donc forcé de négliger celles qui exigeraient une étude spéciale pour être comprises. Si vous lui faites dorénavant l’honneur de lui écrire, il vous prie de vouloir bien lui faire connaître d’une manière nette et précise le but que vous vous proposez. Ce qui lui a paru le plus clair dans votre lettre, c’est votre profession de foi morale et religieuse, et qu’il ne peut qu’approuver. Quant à la doctrine spirite elle-même, il lui semble que vous ne la comprenez pas suffisamment, et il ne peut que vous engager à l’étudier avec soin, car il y a des erreurs évidentes dans votre manière d’apprécier l’intervention des Esprits.

Vous dites, Madame, que [vous] n’êtes que pour une couple de jours à Lichtenthal, or votre lettre n’étant parvenue que par l’entremise d’un imprimeur, il est plus que probable que vous serez partie quand arrivera cette lettre ; néanmoins je pense qu’on la fera suivre à votre nouvelle résidence. Dans tous les cas, M.r Allan Kardec ne venant qu’une fois par semaine à Paris, il est très difficile qu’il puisse être répondu aux lettres courrier par courrier.

{Veuillez agréer, je vous prie, Madame l’expression de mes sentiments les plus distingués.

L’adresse de Mr. A.K. est 59 [illis.] et Passage St. Anne.}