Manuscrito

Rascunho de carta para senhora Lair [27/07/1867]

Senhora Lair.

Paris, 27 de julho de 1867.

Senhora,

Um bravo e digno trabalhador espírita de Paris, pai de família, sofre de uma doença que não mais lhe permite exercer a profissão e, como as despesas domésticas repousam sob o insuficiente trabalho da esposa, ele me escreve pedindo ajuda para estabelecer o filho na aprendizagem. A criança tem oito anos. O desejo dele seria consagrá-la à agricultura, e consequentemente deixá-la com pessoas honradas com as quais ela poderia tirar bons exemplos e, ao mesmo tempo, adquirir a instrução de que precisa. O pai pensa que, nessa profissão, ela correria menos perigo do que no contato, muitas vezes imoral, com os trabalhadores das cidades.

Eu pensei, senhora, que se fosse possível empregar essa criança na fazenda que dirige, isso seria, em todos os aspectos, uma grande vantagem para ela, sem contar com a inestimável garantia de estar sob os olhos de espíritas sinceros; e, caso contrário, talvez a senhora, devido às suas relações, possa me ajudar a encaminhá-la convenientemente.

Eu lhe ficaria muito grato, senhora, em me honrar com uma resposta.

Aproveito prontamente esta oportunidade, senhora, para lhe expressar toda a satisfação de conhecê-la, assim como o senhor Lair, durante a minha passagem em Tours, e meu pesar de que a brevidade forçada de minha estadia não nos tenha permitido, a madame Allan Kardec e a mim, responder ao seu gracioso convite para visitá-la em sua residência.

Receba, senhora, eu lhe peço, a expressão dos meus mais distintos sentimentos,

Allan Kardec.

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M.e Lair.

Paris 27 juillet 1867.

Madame,

Un brave et digne ouvrier spirite de Paris, père de famille atteint d’une maladie qui ne lui permet plus d’exercer sa profession, et la charge du ménage reposant sur le travail insuffisant de sa femme, m’écrit pour me demander de l’aider à placer son fils en apprentissage. L’enfant a 8 ans. Son désir serait de le consacrer à l’agriculture, et par conséquent de le placer chez des personnes honorables auprès desquelles il pourrait puiser de bons exemples et acquérir en même temps l’instruction dont il a besoin. Le père pense que, dans cette profession, il courrait moins de danger que dans le contact, trop souvent immoral, des ouvriers des villes.

J’ai pensé, Madame, que si, dans l’exploitation que vous dirigez, il vous était possible d’utiliser cet enfant, ce serait à tous égards un grand avantage pour lui, sans compter <l’inappréciable> garantie d’être sous les yeux de spirites sincères, et que dans le cas contraire, vous pourriez, peut-être, par vos relations, m’aider à le caser convenablement.

Je vous serais très reconnaissant, Madame, de vouloir bien m’honorer d’une réponse.

Je saisis avec empressement cette occasion, Madame, de vous exprimer toute la satisfaction de faire votre connaissance ainsi que celle de M. Lair, lors de mon passage à Tours, et mon regret que la brièveté forcée de mon séjour ne nous ait pas permis, à Mad. Allan Kardec et à moi, de répondre à votre gracieuse invitation d’aller vous visiter à votre résidence.

Recevez je vous prie, Madame, l’expression de mes sentiments les plus distingués,

A.K.

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