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Rascunho de carta para a senhora Bouillant - 11/10/1867

Senhora Bouillant.

Paris, 11 de outubro de 1867.

Cara senhora,

Recebi com infinito prazer a carta que a senhora gentilmente encarregou o senhor Morin de me entregar, e agradeço sua grata lembrança e amáveis ​​palavras.

Agradeço igualmente ao senhor Morin por sua brochura, que li com muito interesse; dou-lhe meu sincero cumprimento; as ideias nela são perfeitamente justas e são certamente as que prevalecerão um dia na sociedade. Os preconceitos de nobreza já perderam muito de prestígio; mas o Espiritismo, demonstrando o princípio da igualdade pelas próprias leis da natureza e pela igualdade de origem dos Espíritos, destruí-los-á sem volta. Nada mais admirável e mais apto a dissipar as ilusões do orgulho de casta do que o pensamento de ter sido igual ou inferior àquele a quem se despreza pelo nascimento, e de dizer que o mendigo que estende a mão pode ter sido um grande senhor.

É o mundo que se inverte, diriam; não, ao contrário, o mundo atual é que está invertido e que está se recuperando.

Participo sinceramente, cara senhora, de suas tribulações e compreendo que as circunstâncias das quais fala devem lhe ter sido penosas. Gosto de pensar que esses preconceitos são mal fundados e, se é assim, como desejo de toda minha alma, não consigo pensar sem medo na sorte que lhe seria reservada se fosse de outro modo. E não duvido que consiga destruí-los completamente, bem menos por palavras que não provam nada do que por uma maneira de agir tão clara e inequívoca, que seja uma declaração formal, e não permita nenhuma má interpretação. Ora, isso lhe deve ser fácil, e é disso que tomarei conhecimento com uma bem viva satisfação.

Receba, cara senhora, bem como o senhor Bouillant, a renovada garantia dos meus melhores sentimentos,

Allan Kardec.

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Mad. Bouillant.

Paris 11 octobre 1867.

Chère dame,

J’ai reçu avec infiniment de plaisir la lettre dont vous avez bien voulu charger M. Morin pour moi, et vous remercie de votre bon souvenir et de vos bonnes paroles.

Je remercie également M. Morin de sa brochure que j’ai lue avec beaucoup d’intérêt ; je lui en fais mon sincère compliment ; les idées en sont parfaitement justes et ce sont certainement celles qui prévaudront un jour dans la société. Les préjugés nobiliaires ont déjà bien perdu de leur prestige ; mais le Spiritisme, en démontrant le principe d’égalité par les lois mêmes de la nature, et par l’égalité d’origine des Esprits, les détruira sans retour. Y a-t-il rien de plus saisissant, et de plus propre à dissiper les illusions de l’orgueil de caste, que la pensée d’avoir été l’égal ou l’inférieur de celui dont on méprise la naissance, et de se dire le mendiant qui tend la main, a peut-être été un grand Seigneur.

C’est le monde renversé, dira-t-on ; non ; c’est au contraire le monde actuel qui est à l’envers et qui se redresse.

Je prends une part bien sincère, chère dame, à vos tribulations, et je comprends ce que les circonstances dont vous parlez doivent avoir de pénible pour vous. J’aime à penser que ces préventions sont mal fondées, et, s’il en est ainsi, comme je le désire de toute mon âme, car je ne puis songer sans effroi au sort qui vous serait réservé s’il en était autrement, je ne doute pas que vous ne parveniez à les détruire d’une manière complète, bien moins par des paroles qui ne prouvent rien, que par une manière d’agir tellement nette et sans équivoque, qu’elle en soit le démenti formel, et ne laisse prise à aucune mauvaise interprétation ; or, cela doit vous être facile, et c’est ce que j’apprendrai avec une bien vive satisfaction.

Recevez chère dame, ainsi que M.r Bouillant, la nouvelle assurance de mes meilleurs sentiments,

A.K.