Manuscrito

Cópia carta [31/10/1865]

Senhora Villon,

31 de outubro de 1865.

Cara Senhora,

Não fique com muita raiva de mim pelo meu silêncio, o qual a senhora não compreenderá, eu espero, como indiferença. Sua carta chegou enquanto eu estava viajando. Voltando a Paris no fim de setembro, parti quase imediatamente para outra excursão, e só regressei para nossa primeira sessão no dia 6 deste mês. Quando cheguei, encontrei, como de costume, uma grande quantidade de cartas cujo exame tive de postergar, porque era necessário cuidar de todos os outros afazeres pertinentes à nova edição do Evangelho, interrompidas por minha ausência; depois, com minha revista de novembro, na qual não havia escrito nem a primeira palavra. Depois de alguns dias, pude me envolver seriamente com minha correspondência, mas não levará mais de um mês a mais para pô-la em dia.

Então aproveitei uma das raras sessões do senhor Moron, porque ele nem sempre está disponível, para interrogá-lo sobre o seu assunto. Transcrevo suas observações à senhora.

Quanto à minha opinião pessoal sobre a magnetização, considero-a eminentemente benéfica para o caso no qual a senhora se encontra; sua ação depende da força do magnetizador e da qualidade de seu fluido. Para doá-lo mais eficazmente, é necessário empregar o magnetismo espiritual solicitando o auxílio dos bons Espíritos. Ele sabiamente não persistiu em induzir o sono quando não conseguiu; e que, além disso, só seria útil no caso que a senhora estivesse muito lúcida; mas, em vez de se limitar a passes gerais, deve-se atacar direta e vigorosamente as partes afetadas, primeiro pela imposição de mãos assistida por uma vontade poderosa, e depois passando por essas mesmas partes, liberando o fluido pelas extremidades internas. Pela vontade, ele dá a seu fluido a propriedade de dissolver e de expulsar as causas de obstrução apontadas pelo senhor Moron.

Não duvide, cara senhora, dos desejos que a senhora A.K. e eu temos quanto à vossa recuperação e acredite que, de minha parte, não negligenciarei nada que possa contribuir para isso.

Acredite em mim, eu lhe peço, assim como o <senhor Villon>, vosso devoto dedicado

A.K.

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Me Villon

31 octobre 1865

Chère Dame,

Ne m’en veuillez pas trop de non silence, que vous ne prendrez pas, je l’espère, pour de l’indifférence. Votre lettre est arrivée pendant que j’étais en voyage. Revenu à Paris vers la fin de septembre, j’en suis reparti presque aussitôt pour une autre excursion, et ne suis rentré que pour notre première séance le 6 de ce mois. <À> mon arrivée, j’ai trouvé, comme d’habitude, une masse de lettres dont j’ai dû ajourner l’examen, parce qu’il a fallu m’occuper, toute affaire cessante, de la nouvelle édition de <l’Évangile> interrompue par non absence ; puis de mon journal de novembre dont je n’avais pas écrit le premier mot. Depuis quelques jours seulement, j’ai pu me mettre sérieusement à ma correspondance, mais il me faudra bien encore un grand mois avant de la mettre à jour.

J’ai donc profité d’une des séances assez rares de M. Morin, car il n’est pas toujours disponible, pour l’interroger à votre sujet. Je vous transcris ci-joint ses observations.

/2/ Quant à mon opinion personnelle sur la magnétisation, je la regarde comme éminemment salutaire dans le cas où vous vous trouvez ; son action dépend de la puissance du magnétiseur, et de la qualité de son fluide. Pour lui donner plus d’efficacité, il faudrait qu’il employât le magnétisme spirituel en faisant appel au concours des bons Esprits. Il a sagement fait de ne pas persister à provoquer le sommeil dès lors qu’il ne réussissait pas* {*et qui, d’ailleurs n’aurait été utile que dans le cas où vous seriez devenue très lucide} ; mais au lieu de se borner à des passes générales, il faut qu’il attaque directement et vigoureusement les parties affectées, d’abord par l’imposition des mains secondée {par une puissante volonté,} et ensuite par des passes sur ces mêmes parties, en dégageant le fluide par les extrémités intérieures. Il faut que, par la volonté, il donne à son fluide la propriété de dissoudre et d’expulser les causes d’obstruction signalées par M. Morin.

Vous ne doutez pas, chère Dame, des vœux que Mme. A.K. et moi faisons pour votre rétablissement et croyez que, de mon côté, je ne négligerai rien de ce qui pourra y contribuer.

Croyez moi, je vous prie, ainsi que M. Villon, votre bien dévoué

A.K.

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