Manuscrito

Cópia carta [20/02/1865]

Paris, 10 de fevereiro de 1865.

Senhor Malibran,

8, Rua Reboulé, Paris

Caro Senhor,

Estou melhor, sem dúvida, e penso estar em convalescença, mas o senhor pode ver que ainda estou bastante fraco. A violenta sacudida que que sofri deixou-me um abalo que exige ainda grandes precauções e não quero recair de novo. Por ordem expressa dos médicos e dos Espíritos, devo abster-me, pelo menos durante um mês, de toda preocupação e de todo trabalho assíduo. Forçado a suspender meus próprios trabalhos sob pena de novo acidente, estou impossibilitado de ocupar-me de assuntos estranhos, evidentemente. Da parte dos que se dizem meus amigos, considerarei como um ato de humanidade deixar-me ao menos o tempo de retomar forças, e não me impor, apenas saído do leito, preocupações às quais me é impossível entregar-me. Malgrado todo o interesse que tenho pelo senhor, bem como pelo mundo musical, forçoso é me abster até nova ocasião de uma maneira absoluta.

Portanto, posso apenas continuar a recomendar o seu jornal, na Revista, não porém me imiscuir de modo nenhum no negócio, nem me ocupar das convocações que o senhor pede. Quanto ao interesse que possa ter seu jornal do ponto de vista político, em razão do lugar de sua publicação, não será antes de cinco ou seis anos que o Espiritismo poderá ocupar-se dessas questões; haverá graves inconvenientes para a Doutrina Espírita de sair prematuramente de sua linha puramente científica e moral.

Receba, por isso, caro senhor, a expressão de pesar por me achar impedido de entrar mais eficazmente em suas aspirações e não me considere menos seu amigo.

A.K.

P.S. Embora o senhor Allan Kardec lhe tenha dado verbalmente [o] conhecimento do conteúdo desta carta, ele achou dever me incumbir de encaminhá-la ao senhor.

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Paris le 20 février 1865

M. Malibran,

8, rue Reboulé, Paris

Cher Monsieur,

Je suis mieux, sans doute, et je pense être hors d’affaire, mais vous avez pu voir que je suis encore très faible. La violente secousse que j’ai éprouvée m’a laissé un ébranlement qui exige encore de grandes précautions si je ne veux retomber de nouveau. Par ordre exprès des médecins et des Esprits je dois m’abstenir au moins pendant un mois, de toute préoccupation et de tout travail assidu. Forcé de suspendre mes propres travaux sous peine de nouvel accident, il m’est de toute impossibilité de m’occuper de choses étrangères. De la part de ceux qui se disent mes amis, je considèrerais comme un acte d’humanité de vouloir bien au moins me laisser le temps de reprendre des forces, et ne pas m’imposer, à peine sorti du lit, des préoccupations auxquelles il m’est impossible de me livrer. Malgré tout l’intérêt que je vous porte, ainsi qu’au monde musical, force m’est de m’abstenir jusqu’à nouvel ordre d’une manière absolue.

[2] Je ne puis donc que continuer à recommander votre journal dans la Revue, mais non m’immiscer en quoi que ce soit dans l’affaire, ni m’occuper des convocations que vous demandez. Quant à l’intérêt que peut avoir ce journal au point de vue politique, en raison du lieu de sa publication, ce n’est pas avant cinq ou six ans que le Spiritisme pourra s’occuper de ces questions ; il y aura de graves inconvénients pour la doctrine à sortir prématurément de sa ligne purement scientifique et morale.

Recevez donc, cher Monsieur, l’expression de mes regrets de ne pas pouvoir entrer plus efficacement dans vos vues et ne m’en croyez pas moins votre affectionné

A.K.

P.S. Quoique M. A.K. vous <ai / ait> donné verbalement connaissance de la substance de cette lettre, il a cru devoir me charger de vous la faire parvenir.

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