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Carta

Carta de Amélie Gabrielle Boudet para Allan Kardec - 14/09/1864

Paris, 14 de setembro de 1864.

Meu bom amigo,

Eu esperava tua carta esta manhã e te agradeço pela precisão; parece-me que tu partiste há 15 dias; agradeço-te também por tua preocupação com a minha saúde, ela está muito boa. Tive minhas últimas cólicas no retorno de Ségur, na segunda-feira; desde então, sinto-me maravilhosamente bem e me alimento como um ogro. Continua, portanto, tuas peregrinações, sem se preocupar com a casa; tudo vai bem; Henry está trabalhando, eu lhe dei os 20 francos. Fui dormir no sábado como de costume; a mãe [de] Henry jantou comigo, e a família Mathieu veio fazer uma visita antes do jantar, assim como o J. <Boissai>, por isso os coloquei em contato; como os tribunais estão de /2/ férias, não há nada a fazer para ninguém; tu achas que isso atrapalha muito os negócios dos Mathieu; ela deixou temporariamente as flores para fazer consertos para uma pessoa do comércio, o que lhe rende 5 francos por semana; Jules foi à casa do senhor Dufaux, mas ele não pode fazer nada.

O senhor Mathieu procura manter as escrituras de grandes industriais de Grenelle ou Vaugirard; ele colocou cartazes, e se der certo e se for encontrado algo para <Boissai>, ela avisará.

Tailleur está trabalhando muito e fez sua primeira expedição no sábado.

Ele me trouxe ontem uma cesta de frutas.

Não estou fazendo grandes negócios. <O senhor pelo México não voltou.>

O irmão do senhor Constant, de Esmirna, estudante de medicina, veio com um assinante, o senhor <Mabérian>, fazer uma assinatura, para 1865, em nome de um de seus amigos de Esmirna.

/3/ Acabo de expedir uma assinatura para um leitor de Nièvre.

Recebi, de Milão, uma carta do senhor Stenet, que pede livros (dos Espíritos, dos Médiuns e o Evangelho). Vou enviá-los.

Ontem recebi a visita daquela dama de Madri, que é médium escultora; é uma mulher muito vulgar, do tipo do comércio; ela te viu em Bordeaux; está em contato próximo com a senhora Colignon e com o senhor Roustaing; ela se propõe a ir te ver no campo. A senhora de Colignon te escreveu, esperando que tu fosses a Bordeaux, para te pedir que lhe escrevesses, pois ela está no campo, perto de Royan, e teria voltado.

Um senhor que tu viste na casa do senhor Mallet te enviou dois poemas, um é uma homenagem ao senhor Allan Kardec, o outro, sobre riqueza e pobreza.

Não poderei ir a Ségur antes do sábado, vou me encarregar do taqueiro.

Adeus, meu caro amigo, mais alguns dias de paciência e tu voltarás ao aprisco. Até lá, beijo-te /4/ e amo-te de coração.

Amélie.

Ainda não vi o pobre senhor Brun. Isso me preocupa, mas não tenho tempo de ir até lá.

O senhor Porrey veio buscar livros e te deixa lembranças.

Não vi mais ninguém. O senhor Canu normalmente me surpreende; ele não é tão indiferente.

Marie está melhor; está retomando um pouco o seu trabalho.

Mil saudações ao casal Vauchez e ao senhor Constanti.

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/1/ Paris le 14 7bre 1864.

Mon bon ami,

J’attendais ce matin ta lettre & je te remercie de ton exactitude, il me semble qu’il y a quinze jours que tu es parti ; je te remercie aussi de ta sollicitude pour ma santé, elle est très bonne. J’ai eu mes dernières coliques, en revenant lundi de Ségur ; depuis je me porte à merveille et mange comme un ogre. Continue donc tes pérégrinations sans souci de la maison ; tout va bien ; Henry travaille, je lui ai donné les 20f. Je suis allée coucher samedi comme de coutume ; la mère Henry a diné avec moi et la famille Mathieu est venue faire visite avant diner ainsi que J. <Boissai>, alors je les ai mis en rapport ; les tribunaux étant en /2/ vacances il n’y a rien à faire pour personne ; tu penses que cela dérange beaucoup les affaires des Mathieu, elle a quitté momentanément les fleurs, pour faire les raccommodages d’une personne dans le commerce, ce qui lui rapporte 5f. par semaine ; Jules est allé chez M.r Dufaux, mais il ne peut rien.

M.r Mathieu cherche à tenir les écritures des grands industriels de Grenelle ou Vaugirard ; il a posé des affiches, et s’il réussit et qu’il se trouve quelque chose pour <Boissai> elle en donnera avis.

Tailleur travaille à force il a fait samedi sa 1ère expédition.

Il m’a apporté hier un panier de fruits.

Je ne fais pas grandes affaires. Le M.r pour le Mexique n’est pas revenu.

Le frère de M.r Constant de Smyrne étudiant en médecine est venu avec un abonné M.r <Mabérian> faire un ab.t pour 1865 p.r un de ses amis de Smyrne.

/3/ Je viens d’expédier un ab.t pour un lecteur de la Nièvre.

J’ai reçu de Milan une lettre de M.r Stenet qui demande des livres (Esp. M. et Ev). Je vais les adresser.

J’ai reçu hier la visite de cette dame de Madrid qui est médium sculpteur, c’est une femme très ordinaire genre commerce ; elle t’a vu à Bordeaux, elle est en grande relation avec M.de Colignon et M.r Roustaing ; elle se propose d’aller le voir à la campagne. M.de Colignon t’a écrit, espérant que tu irais à Bordeaux pour te prier de lui écrire parce qu’elle est à la campagne près Royan et qu’elle serait revenue.

Un M.r que tu as vu chez M.r Mallet t’a adressé deux pièces de vers, l’une hommage à M.r A.K., l’autre, richesse et pauvreté.

Je ne pourrai pas aller à Ségur avant samedi, je m’occuperai du parqueteur.

Adieu mon cher ami encore quelques jours de patience et tu reviendras au bercail. En attendant je t’embrasse /4/ et t’aime de cœur.

Amélie.

Je n’ai pas vu encore le pauvre M.r Brun. Cela m’inquiète mais je n’ai pas le temps d’y aller.

M.r Porrey est venu chercher des livres et se rappelle à ton souvenir.

Je n’ai vu personne autre, M.r Canu m’étonne ordinairement il n’est pas si indifférent.

Marie est mieux ; elle reprend un peu son travail.

Mille compliments à M.r et M.de Vauchez et à M.r Constanti.