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Carta

Carta de Allan Kardec para Amélie Gabrielle Boudet - 19/09/1864

Antuérpia, segunda-feira, 19 de setembro de 1864.

Minha querida Amélie,

Aproveitei tua permissão para postergar um pouco menos meu retorno; minha estadia aqui está sendo muito útil. É impossível ser acolhido com maior hospitalidade e cordialidade como aqui eu fui. As reuniões e os convites se sucedem de modo a me dar pouco descanso. Sábado aconteceu uma sessão geral de aproximadamente cem pessoas; parece que o que eu disse produziu muito efeito.

A família Gevers não poderia ser mais amável; todo mundo testemunha a tristeza de você não ter me acompanhado.

Ontem, domingo, saindo da catedral onde havia acabado de ver os quadros de Rubens, reencontrei um senhor e uma senhora que me abordaram e que, olhando mais de uma vez e não sabendo se era uma ilusão, eram o senhor e a senhora Deglande. Grande surpresa e exclamações de ambas as partes. Eram 12h30 e eles foram embora às 15h30, de forma que conversamos apenas por pouco tempo. O senhor Deglande me falou uma coisa interessante e importante em relação à Avenida Ségur, que vem realizar uma previsão dos Espíritos. Eu te contarei sobre isso na minha volta; seria muito longo por carta, bem como todos os outros episódios da minha viagem, da qual direi somente breves palavras: superou minhas expectativas e realizou completamente as previsões dos Espíritos, quando estes me incitaram a fazê-lo.

Minha saúde está excelente, e espero que também te encontre bem disposta à minha chegada. Havia planejado voltar a partir de amanhã, terça-feira, mas me sinto obrigado a postergar para quarta-feira, 21, ou talvez para quinta-feira. Chegaremos no mesmo dia.

Depois de tudo combinado, decidi ir embora da Antuérpia na quarta-feira às 6 horas da manhã, o que me permite chegar a Paris no mesmo dia, às 4h15, e em casa por volta das 5 horas.

Esperando ter o prazer de te beijar,

Todo teu,

A.K.

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Anvers Lundi 19 7br 1864.

Ma chère Amélie,

J’ai profité de ta permission pour presser un peu moins mon retour, mon séjour ici étant très utile. Il est impossible d’être accueilli avec plus d’empressement et de cordialité que je ne le suis ici. Les réunions et les invitations se succèdent de manière à me laisser peu de repos. Samedi a eu lieu une séance générale d’environ cent personnes ; il paraît que ce que j’y ai dit a produit beaucoup d’effet.

La famille Gevers est on ne peut plus aimable ; tout le monde témoigne le regret que tu ne m’aies pas accompagné.

Hier dimanche, en sortant de la cathédrale où je venais de voir les tableaux de Rubens, je rencontre un M. et une dame qui m’abordent et que je regarde à deux fois, ne sachant si j’avais la berlue, c’étaient M. et M.e Deglande. Grande surprise et exclamations de part et d’autre. Il était midi et demi et ils partaient à 3h½ de sorte que nous n’avons causé que peu de temps. M. Deglande m’a parlé d’une chose intéressante et importante concernant l’avenue de Ségur, et qui vient réaliser une prévision des Esprits. Je te raconterai cela à mon retour, ce serait trop long pour une lettre, ainsi que tous les autres épisodes de mon voyage dont je ne dirai que deux mots : il a dépassé mon attente, et complètement réalisé les prévisions des Esprits, lorsque ceux-ci m’ont engagé à le faire.

Ma santé est excellente, et j’espère que je vais aussi te trouver bien portante à mon arrivée. J’avais arrangé mon départ d’ici pour demain mardi, mais je me trouve forcé de le remettre à mercredi 21 et peut-être à jeudi. On arrive dans la même journée.

Après combinaison, je suis décidé à partir d’Anvers mercredi à 6h du matin ce qui me permet d’arriver à Paris le même jour à 4h¼ et à la maison vers 5 heures.

En attendant le plaisir de t’embrasser,

Tout à toi

A.K.