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Psicografia - Médium: Didier/ Espírito: Lammenais - 14/09/1864

Sociedade de Paris.

Sessão de 14 de outubro de 1864.

Médium: senhor A. Didier.

Influência do meio sobre o desenvolvimento do Espírito.

O Cristianismo nos diz que os condenados serão eternamente condenados, e mais ainda pela impossibilidade de retornar ao bem do que pela justiça inexorável do Todo-Poderoso.

Falamos frequentemente desse assunto, interpretando-o segundo a razão e a natureza, tendo em conta o progresso e a ciência. Temos visto um grupo muito numeroso, é verdade, de culpados continuar, na erraticidade, com os erros e os maus instintos da vida terrestre, continuar mesmo a tal ponto que nos parecia que tudo permaneceria como antes.

Contudo, temos uma objeção da mais alta importância a fazer aqui, objeção deduzida de um número infinito de estudos e de observações.

Acredito que todos devem reconhecer e compreender a influência extrema de diferentes meios sobre os Espíritos encarnados. Quantos, mesmo sem sofrer essa influência, mas somente a das suas lembranças, criam momentaneamente ressurreições de coisas que não são mais? Quantos, segundo suas organizações, deixam-se enfeitiçar por essas visões? Quantos retornam dolorosamente à realidade?

É o mesmo para os Espíritos; ah! acreditem: retornando à esfera onde devem estar, isto é, à erraticidade, apesar de si próprios, eles reconhecem seu estado; e como há confusão e luta no seu Espírito, há consequentemente punição e castigo.

O Espírito, habituado a certos seres que deixou na Terra e a todos seus pensamentos materiais, sofre ainda a influência da vida em certos momentos, ao ver bem justamente o quanto ele estava errado, e o quão mal viveu. Incapaz de, por medo de sua consciência, permanecer nesse suplício, ele gosta de se atirar repentina e bruscamente na vida, para estimular os progressos e os reconhecimentos de sua consciência.

A influência do meio também age muito sobre ele; não pode compreender que contempla face a face duas vidas tão diferentes e, temendo muito uma, ele se recoloca na outra.

Mas, estejam certos, a alucinação da vida o deixa bem cedo; os murmúrios confusos que ele percebe ao redor de si o fazem lembrar da realidade; e caso fosse capaz de contemplá-lo por uma hora, ou mesmo por alguns minutos, você o veria e o sentiria tanto que isso bastaria para o instruir sobre seu estado, sem recorrer a palavras dele.

Lamennais.

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Société de Paris.

Séance du 14 8bre 1864.

Med. M. A. Didier.

Influence du milieu sur le développement de l’Esprit.

Le Christianisme nous dit que les damnés seront éternellement damnés, plus encore par leur impossibilité à revenir au bien que par la justice inexorable du Tout-Puissant.

Nous avons souvent parlé sur ce sujet, nous l’avons interprété selon la raison et la nature, tenant compte du progrès et de la science. Nous avons vu une suite trop nombreuse, il est vrai, de coupables continuer dans l’erraticité les erreurs & les mauvais instincts de la vie terrestre, les continuer même à un tel point qu’il semblait pour nous que tout se continuait comme autrefois.

Cependant nous avons une objection de la plus haute importance à faire ici, objection déduite d’un nombre infini d’études et de remarques.

Je crois que tous vous devez reconnaître & comprendre l’influence extrême de milieux différents sur des Esprits incarnés. Combien même sans subir cette influence, mais seulement celle de leur souvenir, créent momentanément des résurrections de choses qui ne sont plus. Combien selon leur organisation se laissent charmer par ces visions ? Combien reviennent douloureusement à la réalité.

Il en est de même pour les Esprits ; <ah !> croyez-le bien ; retournés dans la sphère où ils doivent être c’est-à-dire dans l’erraticité, ils reconnaissent malgré eux leur état ; et comme il y a confusion et lutte dans leur Esprit, il y a conséquemment punition et châtiment.

L’Esprit habitué à certains êtres qu’il a laissés sur la terre et à toutes ses pensées matérielles, subit encore l’influence de la vie dans certains moments, pour bien voir justement combien il s’est trompé, et combien il a mal vécu. Ne pouvant, par crainte de sa conscience, demeurer dans ce supplice, il aime à se jeter soudain et brusquement dans la vie pour étourdir les progrès et les reconnaissances de sa conscience.

L’influence des milieux fait également beaucoup sur lui ; il ne peut comprendre qu’il contemple face à face deux vies aussi différentes et craignant trop l’une il se rejette dans l’autre.

Mais soyez-en sûrs, l’hallucination de la vie le quitte bientôt ; les murmures confus qu’il entend autour de lui le rappellent à la réalité et si vous étiez à même de le contempler une heure, ou plutôt quelques minutes plus tard, vous le verriez et le sentiriez tellement que sa vue seule vous instruirait de son état sans recourir à ses paroles.

Lamennais.