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Carta

Carta de Amélie Boudet para Allan Kardec - 09/09/1862

Paris, quarta-feira, 9 de setembro de 1862.

Recebi no sábado, meu querido amigo, tua carta datada de Sens; embora não faça muito tempo que estamos separados, ela me trouxe muita alegria. Pareço sentir-me menos só quando recebo uma carta tua. Não te escrevi em Thonon, pois não havia nada de interessante para te contar & minha vida tranquila não desperta preocupação. O tempo estava tão ruim que só fui à avenida de Ségur no sábado; a senhora Henry passou o domingo comigo, desde o almoço. Segunda-feira voltei sozinha, e tomei, na ida e na volta, uma chuva torrencial; parece que hoje o tempo vai melhorar, então retorno esta noite; trouxe Marie, que voltará ao médico; até agora o melhor, não é sensível; aliás, ela tinha um caráter tão detestável que me deixava doente; enfim, seu humor parece estar melhor hoje, pois se ela continuasse como na semana passada, eu não poderia ficar com ela.

Tive de escrever ao carpinteiro para que ele venha arrumar o telhado sobre o alojamento da última chegada; nada de /2/ novo quanto aos aluguéis.

Fiz seis assinaturas desde a tua partida, vendi coleções, em suma, 130 francos de receita; por outro lado, recebi as <faturas> relativas à revista entre 6 e 700 francos. Vou tentar esperar o teu retorno à gráfica, não achei os exemplares de janeiro e fevereiro, enviei tua carta; trouxeram-me uma prova de janeiro; tínhamos vindo procurar os modelos; ainda não levaram os exemplares etc.

Eis a correspondência.

Uma carta do senhor Indermuhle, que relata alguns barulhos, batidas &&, de Bruxelas, pede livros e assinaturas. É o senhor Vauchez que envia um criado para receber na rua de la Jussienne.

De Oran, uma reunião de 20 pessoas que não chegam a ser médiuns & e que te pedem os meios para que se o tornem, embora tenham os livros.

Do senhor De Lachâtre, que envia 300 francos [a/c]. Sua carta não é positiva, ele te incentiva, na tua volta, a escrever a um ourives de Belleville, que provavelmente desejará te pagar e conversar sobre Espiritismo.

Uma carta do senhor Joly, de Lyon, que tu verás, /3/ provavelmente, pedindo uma retificação daquilo que publicaste sobre ele.

Algumas cartas solicitando livros.

Quanto a visitas, recebi um senhor de grande mérito, cuja esposa é muito espírita & que lhe pediu para te ver; eles são de Bruxelas.

O senhor d’Ambel veio passar ontem uma ou duas horas comigo, durante as quais um importante senhor de Toulouse veio buscar seu exemplar. Essas são todas as visitas; também trabalhei muito na semana passada. Fui passar uma noite com a senhora Martin & no sábado, na casa de Anaïs, que esteve perto da morte na última semana devido a uma horrível diarreia, acompanhada de vômitos. O senhor Henry a recompôs; ela se encontra melhor, mas ainda está muito alterada; há alguns dias ele não fazia mais nada sobre os próprios pés; ele sempre fala em curá-la, que se trata de uma questão de tempo. Temo que ele esteja enganado quanto a isso; eles estão em extrema dificuldade; consideramos voltar a Belleville, e depois o senhor Henry tentaria ir até lá duas vezes por semana, pobre /4/ Anaïs, ela me enche de pena! Pobre mãe, tão útil a seus filhos, por que seres tão necessários devem ser levados daqui? Essas são provações muito cruéis para a senhora de Monval; eles estão muito infelizes nesse momento.

O senhor de Maclakoff veio às 11 horas para se despedir de ti; entreguei-lhe o bilhete, ele não me ofereceu recibo, eu não ousei pedir-lhe; ele renuncia à entrevista antes de sua partida; perguntou-me se devia reembolsar chegando a Moscou ou no retorno à Paris, e deixei que escolhesse; ele deve me rever antes de sua partida. Eu não ouvi falar de Tailleur. O caso das patentes estava bem encaminhado.

Acredito que minha carta chegará a ti na quarta-feira, em Lyon, se não te atrasares; o tempo, meu pobre amigo, não está favorável; talvez aí esteja bom; aqui temos tempestades. Na Saboia, há dois meses não cai uma gota d’água.

Adeus, meu bom amigo, já se passaram oito dias. Não estou incomodada, mas o tempo me parece mais longo, sobretudo durante as refeições. Cuida-te bem & recebe {*meus ternos abraços. Tua sincera amiga do coração, mil coisas amáveis a teus anfitriões. A.B.}

/1/ {O caso de Nevers é muito curioso; pena que essa cidade não esteja no teu itinerário. O senhor Vezy me apresentou sua esposa no domingo; ela está bem.}

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Paris mercredi le 9 7bre 1862.

J’ai reçu samedi, mon cher ami, ta lettre datée de Sens, quoiqu’il n’y eût pas longtemps que nous étions séparés, elle m’a fait grand plaisir. Il me semble être moins seule quand j’ai une lettre de toi ; je ne t’ai pas écrit à Thonon n’ayant rien d’intéressant à te dire & que ma vie tranquille n’offre aucune inquiétude. Le temps était si mauvais que je ne suis allée à l’avenue de Ségur, que samedi ; Mad.e Henry a passé la journée du dimanche avec moi dès le déjeuner. Lundi je suis revenue seule & j’ai eu pour aller et venir une pluie battante ; aujourd’hui le temps a l’air de se remettre je repars ce soir ; j’ai amené Marie qui va retourner chez le doct.r ; jusqu’à présent le mieux, n’est pas sensible ; aussi a-t-elle été tellement détestable de caractère qu’elle me rendait malade ; enfin elle paraît de meilleure humeur aujourd’hui espérons car si elle continuait comme la semaine dernière je ne pourrais pas la garder.

J’ai été obligée d’écrire au couvreur pour qu’il vienne réparer la toiture au-dessus du logement du dernier arrivé ; rien de /2/ nouveau pour les locations.

J’ai fait 6 abonnem.ts depuis ton départ, vendu des collections bref 130 f. de recette mais en revanche j’ai reçu les <M.res> concernant la revue pour 6 à 700f. Je tâcherai qu’on attende ton retour à l’imprimerie je n’ai pas trouvé de n.os de janvier et février, j’ai envoyé ta lettre ; on m’a apporté l’épreuve de janvier on était venu précédemment chercher les modèles, on n’a pas encore emporté les n.os etc.

Voilà la correspondance.

1 lettre de M.r Indermuhle qui relate des faits de bruits, de coups frappés && de Bruxelles demande d’ouvrages & abonnt. C’est M.r Vauchez qui envoie un bon à toucher rue de la Jussienne.

D’Oran une réunion de 20 personnes qui n’arrivant pas à être médium & qui te demande le moyen de le devenir malgré qu’ils aient les livres.

De M.r de Lachâtre qui envoie 300 f. a/c. Sa lettre n’est pas positive, il t’engage à ton retour à écrire à un orfèvre de Belleville qui probablement voudra te payer & causer spiritisme.

Une lettre de M.r Joly de Lyon, que tu verras /3/ probablement, qui demande une rectification de ce que tu as publié de lui.

Quelques lettres de demande d’ouvrages.

En fait de visite j’ai eu celle d’un Mr décoré & très bien dont la femme est très spirite & qui l’avait prié de te voir ; ils sont de Bruxelles.

M.r d’Ambel est venu hier passer une ou deux heures avec moi, pendant ce temps le g.d M.r de Toulouse est venu chercher son no. Voilà toutes les visites aussi ai-je bien travaillé la semaine dernière. Je suis allée passer une soirée avec M.de Martin, & samedi chez Anaïs qui avait été à la mort dans la semaine précédente par suite d’une diarrhée affreuse accompagnée de vomissements. M.r Henry l’a rabouturée, elle va mieux mais elle est encore plus changée ; depuis quelques jours il ne faisait plus rien à son pied ; il répond toujours de la guérir & que ce n’est qu’une question de temps. Je crains bien qu’il ne se trompe ; ils sont dans un embarras extrême, on songe à retourner à Belleville, et alors M.r Henry tâcherait d’y aller 2 fois par semaine pauvre /4/ Anaïs qu’elle me fait de peine ! pauvre mère si utile à ses enfants, pourquoi faut-il que des êtres si nécessaires soient retirés d’ici-bas ? Voilà de bien cruelles épreuves pour Mad de Monval ; ils sont bien malheureux dans ce moment-ci.

M.r de Maclakoff est venu à 11 heures pour te faire ses adieux, je lui ai remis le billet, il ne m’a pas proposé de reçu je n’ai pas osé le lui demander ; il renonce à son entrevue, avant son départ ; il m’a demandé s’il devait rembourser en arrivant à Moscou ou à son retour à Paris je l’ai laissé à son choix ; il doit me revoir avant son départ. Je n’ai pas entendu parler de Tailleur. L’affaire des brevets était en bon chemin.

Je pense que ma lettre te trouvera mercredi à Lyon, si tu n’as pas été retardé ; le temps mon pauvre ami ne se favorise pas, peut-être là-bas fait-il beau ; ici ce sont des orages. Car en Savoie depuis 2 mois ils n’ont pas une goutte d’eau.

Adieu mon bon ami, voilà 8 jours de passés. Je ne m’ennuie pas mais le temps me paraît long surtout pour les repas. Porte toi bien & reçois mes* {*tendres embrassements. Ta sincère amie de cœur mille choses aimables à tes hôtes. A.B.}

/1/ {L’affaire de Nevers est bien curieuse c’est dommage que cette ville ne soit pas sur ton passage. Mr Vezy m’a présenté sa femme dimanche elle est bien.}