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176F
Carta

Carta de Allan Kardec para Amélie Boudet - 12/10/1862

Saint-Jean-d’Angély, 12 de outubro de 1862.

Eu me aproximo enfim de Paris, minha boa Amélie, onde espero estar daqui a alguns dias; eu te escreverei de Angoulême para te informar definitivamente a data de minha chegada. Era impossível determinar exatamente a duração de minha viagem, porque em vários lugares tive de permanecer mais do que calculava, e ainda tive que abreviá-la, negligenciando algumas localidades. Em Rochefort, entre outras, eu não devia ficar mais do que três horas para ver duas pessoas, o senhor <Fornier> Duplan e o senhor Marquês de Moÿ; consequentemente, havia deixado minhas coisas no escritório, mas eu não contava com o meu retrato; havia no carro um certo senhor de Rochefort que nunca me vira, mas havia visto meu retrato em Marennes, e me reconheceu. Ele somente pronunciou meu nome quando da minha chegada, com o que fiquei muito surpreso. Conversamos um pouco, e lhe pedi o endereço das pessoas [...] hoje o crédito da doutrina; também, em presença desses resultados, e do movimento que se vê operar de todas as partes, quão pequenos parecem os adversários, que se assemelham a cãezinhos enfezados latindo a trem de estrada de ferro marchando a todo vapor.

Vou passar aqui o dia de hoje, domingo; partirei amanhã para Angoulême, de onde te escreverei provavelmente pela última vez, pois daqui a poucos dias terei o prazer de te abraçar.

Continuo a portar-me como as torres de Notre Dame, apesar do cansaço, pois não tenho um só dia de repouso; evidentemente, é necessário que os Espíritos me sustentem.

Adeus, boa Amélie, e até breve.

Allan Kardec.

Manda lembrança a todos.

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St. Jean d’Angely, 12 8bre 1862.

Je me rapproche enfin de Paris, ma bonne Amélie, où j’espère être dans quelques jours ; je t’écrirai d’Angoulême pour te fixer définitivement sur mon arrivée. Il était de toute impossibilité de déterminer exactement la durée de mon voyage, parce que, dans plusieurs endroits j’ai dû rester plus que je ne comptais, et encore ai-je abrégé en négligeant certaines localités. À Rochefort entr'autres je ne devais m’arrêter que 3 heures pour voir 2 personnes, Mr. <Fornier> Duplan et Mr. le Marquis de Moÿ ; j’avais en conséquence laissé mes effets au bureau, mais j’avais compté sans mon portrait ; il y avait dans la voiture un Mr. {de Rochefort} qui ne m’avait jamais vu, mais qui avait vu mon portrait à Marennes, et qui m’a reconnu. Ce n’est qu’en arrivant qu’il a prononcé mon nom, ce dont j’ai été fort surpris. Nous avons causé un instant, et je lui ai demandé l’adresse des personnes [...] aujourd’hui le crédit de la doctrine ; aussi, en présence de ces résultats, et du mouvement qu’on voit s’opérer de toutes parts, combien paraissent petits les adversaires, qui semblent des roquets aboyant contre train de chemin de fer marchant à toute vapeur.

Je passe ici la journée d’aujourd’hui dimanche ; j’en repars demain pour Angoulême d’où je t’écrirai probablement pour la dernière fois, car dans peu de jours j’aurai le plaisir de t’embrasser.

Je continue à me porter comme les tours de Notre Dame, malgré la fatigue, car je n’ai pas un seul jour de répit ; il faut évidemment que les Esprits me soutiennent.

Adieu bonne Amélie, et à bientôt

A.K.

Ne m’oublie auprès de personne.