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Discurso

Discurso de Allan Kardec - DD/MM/1867

Senhores e senhoras, caros irmãos e irmãs espíritas:

O acolhimento que recebemos entre vós, minha esposa e eu, sensibiliza-nos com um profundo sentimento de gratidão, que vos peço acolhais, não obstante a expressão imperfeita com que eu o expresso a vós.

Fiquei particularmente comovido com a oferta que me fizestes para presidir esta reunião de família; se recusei essa honra, não foi porque eu lhe despreze o valor, mas porque não aceito a presidência de nenhuma das reuniões para as quais sou convidado, considerando-me suficientemente honrado com o simples título de irmão.

Essas manifestações de simpatia adquirem seu valor sobretudo da sinceridade dos sentimentos que as ditam; eu as aceito como uma homenagem prestada não ao homem, mas à doutrina, e como precioso encorajamento à pesada e difícil tarefa que empreendi. São flores em meio a muitos espinhos de que o caminho está semeado, e que conservam longamente o seu perfume após serem colhidas. Minha nova estadia nesta cidade ficará marcada em minhas mais agradáveis lembranças. Lamento apenas não poder prolongá-la tanto quanto eu desejaria. Eu ficaria especialmente feliz se pudesse ter aproveitado a ocasião para visitar nossos confrades das províncias vizinhas. Inicialmente, meu projeto era ir até Carcassonne, apertar a mão do digno e respeitável senhor Jaubert, que eu jamais tive o prazer de ver; tive, porém, de ceder à necessidade que me chama ao centro dos meus trabalhos. Quanto mais nos aproximamos do desfecho, menos me é permitido dispor livremente de meu tempo; a urgência do que me resta a fazer não tardará a se fazer sentir, o que me obriga a ocupar-me da tarefa sem descanso, a fim de estar pronto quando a hora soar.

Longe de mim, porém, o pensamento de me orgulhar do sucesso de nossos trabalhos; se eles têm algum valor, o mérito cabe aos bons Espíritos, sem os quais eu não teria saído da obscuridade. Quem sou eu no grande movimento que se opera? Um eixo de sustentação, e me considero feliz por poder acrescentar: um homem de boa vontade. Aceitei a tarefa e esforço-me para cumpri-la com o melhor de mim. Não dissimulei suas asperezas, e foi com perfeito conhecimento de causa e com a previsão de todas suas consequências que nela me empenhei. Bem louco seria aquele que, em uma obra de reforma qualquer, esperasse fazer dela um leito de rosas neste mundo, de modo que aqueles que invejam minha posição não sabem o que desejam.

Todavia, não creiais que os contratempos que da tarefa são inseparáveis fiquem sem compensações; eu as tenho bem grandes e bem suaves, entre as quais devo, em primeiro lugar, colocar o privilégio excepcional de ter testemunhado, ainda durante minha vida, os sucessos da doutrina da qual me fiz o promotor. Cada um que ela faz feliz, cada consolação que ela proporciona, cada lágrima que ela seca, cada coragem abatida que ela levanta pagam-me ao cêntuplo todas as minhas fadigas. Eu digo a mim que uma doutrina toda de amor e de esperança, fundada sobre próprias leis da natureza, não pode perecer, porque ela responde às necessidades mais imperiosas, às aspirações mais profundas dos homens. Sim, é uma enorme satisfação ser testemunha de tais resultados, e poder para eles ter cooperado. Tal benefício vale, e muito, o preço de algumas tribulações.

Que dizer então se, lançando meu olhar adiante, entrevejo a humanidade toda, convidada ao grande banquete da fraternidade, os povos de mãos dadas em nome dos princípios da doutrina, a sociedade regenerada florescer sob o reino da justiça, que é o reino de Deus? Que dizer então se, projetando-o ainda mais à frente, para além da vida terrestre, descubro, com o auxílio da inteligência, sob o véu levantado pelo espiritismo, os esplêndidos horizontes do mundo invisível, percebendo as entonações felizes dos Espíritos purificados pelas novas crenças? Àquele que considera as coisas desse ponto elevado, as vicissitudes da vida parecem diminutos pontos escuros, quase invisíveis, sobre um fundo luminoso; os pequeninos desgostos suscitados pela malevolência são-lhe menos perceptíveis do que a roçadela do inseto nocivo; os respingos de lama lançados pela inveja e o ciúme não o podem atingir, nem lhe perturbar a serenidade da alma. A calma, em meio às tormentas da vida, não é um dos menores benefícios da doutrina, e é um benefício de que goza inevitavelmente todo aquele que assimila seus princípios. Assim como disse Jesus: meu reino não é deste mundo, ele também pode dizer: “Minha verdadeira pátria não está na terra; aqui estou apenas de passagem. Que me importam os desgostos desta estadia momentânea se, por esse preço, posso assegurar-me um lugar melhor em minha morada definitiva!”

Longe de mim também o pensamento de crer-me indispensável; não faltam trabalhadores capazes e dedicados nos grandes canteiros do Senhor, e todos têm sua missão, pequena ou grande, pois ninguém é inútil. Se tivesse falhado em minha tarefa, eu logo teria sido colocado de lado e substituído; do mesmo modo, quando ela terminar – e minha estadia neste mundo não será longa –, um outro assumirá o comando. Quem será ele? Ninguém o sabe, pois ele deverá surgir da sombra. Tudo o que se pode dizer é que, estando o espiritismo nos desígnios providenciais para a regeneração da humanidade, Deus não deixará sua obra inacabada. Aquele que tomará as rédeas do espiritismo revelar-se-á quando chegar o momento, mas não será aquele que tenha concebido tal propósito premeditadamente. Será conduzido a essa posição pela força das coisas, não por sua vontade, revelando-se por seus atos, não por suas pretensões. Talvez nesse momento ele ainda esteja nos bancos escolares ou curvado sob o peso do trabalho para ganhar a vida, como os pescadores do lago de Genesaré, ignorando-se a si mesmo, mas elaborando, como Espírito, a missão que lhe será confiada. Talvez, mesmo, ele já tenha testado suas forças, e faça suas provas nos exercícios da inteligência. Talvez, enfim, ele se encontre em cada uma dessas posições, pois não há missões determinísticas. O Espírito, ao encarnar-se, sabe a que está destinado e o que deve realizar; como homem, ele o ignora até o momento em que deva executar sua tarefa, e frequentemente o faz inconscientemente, isto é, sem desconfiar que cumpre uma missão. A realização, porém, está subordinada às condições que ele preencherá durante a vida; ele pode recuar no momento decisivo; não cumprir as condições necessárias; comprometer o sucesso da missão por seu orgulho ou falta de previdência; não ter toda a abnegação que uma vida de dedicação exige. É por isso que para cada missão importante sempre há vários candidatos, de modo que, se um faltar, possa ser substituído. Os desígnios de Deus não podem ficar à mercê do capricho ou das fraquezas dos homens. Ora, a missão de um daqueles que serão um dia chamados a dirigir o espiritismo será grande, pois a ele caberá consolidá-lo e fazê-lo dar os frutos esperados. Será, eu vos asseguro, um grande Espírito, diante do qual todos se inclinarão, pois para tanto estará vestido de autoridade.

Quanto a mim, apenas abro o caminho e preparo o terreno; mas não estou sozinho; se fui um dos primeiros a apontar a estrada, milhares de outros prestaram sua ajuda eficaz, ao preço de sacrifícios pessoais. Cumpre uma missão todo aquele que trabalhe com zelo, dedicação e, sobretudo, abnegação para a propaganda da ideia emancipadora; todo aquele que, confiante em sua fé e penetrado da importância do objetivo a atingir, persevere até o fim, enfrente a perseguição, lute com firmeza contra os obstáculos, sem se deixar perturbar pelos sarcasmos, pelas injúrias e pela calúnia. O espiritismo já conta, em diferentes lugares, com um bom número dessas pessoas, sem falar de todas aquelas que, numa escala menor, não deixam de prestar útil auxílio à causa.

Todos somos, então, trabalhadores da obra regeneradora; eis por que não aceito a presidência de nenhuma outra reunião senão a minha, pois isso implicaria a ideia de uma preeminência que jamais busquei, não querendo eu que aquele a quem cabe por direito a honra de presidir seja privado disso por minha causa. Se a crítica houve por bem condecorar-me com alguns títulos, os espíritas serão justos, penso, em reconhecer que nem nos meus escritos nem por nenhum outro meio me atribuí nenhum deles. Aqui não está, portanto, nenhum chefe, nenhum mestre, nenhum sacerdote, mas um simples irmão, feliz em comungar com seus irmãos em crença.

O espiritismo, em toda parte, repousa sobre a mesma base: a existência e a manifestação dos Espíritos. Pode-se divergir acerca de alguns pormenores, sobre a maneira de encarar certas questões, e sobre as consequências a serem, dele, extraídas. Alguns acreditam poder aliá-lo às crenças religiosas nas quais foram criados, assim como outros podem querer isolá-lo de tais crenças. Trata-se de opiniões diferentes; não, porém, de motivo para que os que as esposam se queiram mal uns aos outros. Se o espiritismo proclama a fraternidade universal; se considera a liberdade de consciência como um direito natural, e a tolerância como um dever; se ele faz uma lei da caridade, sem acepção de castas nem de seitas, com mais forte razão devem tais princípios ser aplicados entre pessoas unidas por uma mesma crença de fundo. Pode-se não aprovar uma maneira de ver, sem lançar pedras contra aqueles que a professam, o que constituiria ato antiespírita e violação de seu próprio lema. Lastimemos aqueles que as lançam contra nós, mas não as atiremos de volta contra eles.

Os espíritas, qualquer que seja o matiz de suas posições – sejam americanos ou europeus, kardecistas, como se diz, ou outros, seja qual for o nome que se lhes dê –, devem todos, portanto, se forem coerentes com seus princípios, dar-se as mãos, considerando que marcham na direção do mesmo objetivo: a emancipação moral da humanidade.

Pelos motivos que acabo de explicar, permiti-me, senhores e caros irmãos, propor-vos um brinde múltiplo:

1.º À sociedade espírita de Bordeaux e, em particular, a seu digno presidente: parabéns pela ordem e entendimento que presidem aos seus trabalhos!

2.º A todos os zelosos defensores da doutrina; que seus nomes sejam inscritos no panteão do espiritismo para a edificação dos espíritas do porvir!

3.º Aos espíritas dos Estados Unidos da América, que foram os primeiros a abrir o caminho à doutrina nova: saudações de cordial fraternidade!

4.º Aos espíritas do mundo inteiro, sentinelas avançadas da doutrina e que espalham a semente sobre todos os pontos do globo. Possam eles, pelo seu zelo, propagar os princípios de fraternidade, apressar o momento em que os povos verão as lutas sangrentas ser substituídas pelas lutas pacíficas, únicas proveitosas à inteligência!

5.º Finalmente, senhores, nesta reunião de família, destinada a estreitar os laços fraternais por uma santa comunhão de pensamento, não esqueçamos nossos irmãos que partiram antes de nós; que uma boa lembrança os atraia a nós! Prestemos também um tributo de reconhecimento aos bons Espíritos pelos ensinamentos que eles nos dão, pela proteção com que cercam a obra nova e pela sabedoria com que a conduzem. Esforcemo-nos para auxiliá-los, imitando-lhes a prudência.

Senhores, neste brinde coletivo que dediquei aos zelosos adeptos da doutrina não citei nenhum nome próprio; a lista teria sido longa demais. Contudo, não me desaprovareis, penso, se vos propuser um testemunho especial de simpatia e de reconhecimento a dois homens cuja dedicação vos é bem conhecida, ainda que não pertençam a esta cidade. Um, pela firmeza com que tem alçado bem alto a bandeira do espiritismo, considerada a delicadeza de sua posição oficial; o outro pelo zelo inteligente e a toda prova com o qual se consagra ao alívio do sofrimento. Um e outro não somente contribuíram poderosamente para divulgar a doutrina em suas regiões, mas também souberam fazer que fosse amada e respeitada por seu exemplo pessoal. Um é o senhor vice-presidente Jaubert, de Carcassonne; o outro, o senhor Dombre, de Marmande.

Proponho declarar que ambos merecem muito bem o reconhecimento do espiritismo.

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Messieurs et Mesdames, chers frères et sœurs spirites :

L’accueil que nous recevons parmi vous, ma femme et moi, nous pénètre d’un profond sentiment de gratitude dont je vous prie de recevoir la très imparfaite expression.

J’ai été particulièrement sensible à l’offre que vous m’avez faite de présider cette réunion de famille ; si j’ai décliné cet honneur, ce n’est pas que je n’en sente tout le prix, mais je n’accepte la présidence dans aucune des réunions où je suis convié, me tenant pour suffisamment honoré du simple titre de frère.

Ces témoignages de sympathie tirent surtout leur valeur de la sincérité des sentiments qui les dictent ; je les accepte comme un hommage rendu non à l’homme, mais à la doctrine, et comme de précieux encouragements dans la tâche lourde et difficile que j’ai entreprise. Ce sont des fleurs parmi les nombreuses épines dont la route est semée, et qui conservent leur parfum longtemps après qu’elles ont été cueillies. Mon nouveau séjour en cette ville marquera dans mes plus agréables souvenirs. Je n’en éprouve que plus de regrets de ne pouvoir le prolonger autant que je l’aurais désiré. J’aurais surtout été heureux de profiter de la circonstance pour aller visiter nos frères des départements voisins; mon projet avait même d’abord été d’aller jusqu’à Carcassonne, serrer la main du digne et respectable M.r Jaubert, que je n’ai jamais eu le plaisir de voir, mais j’ai dû céder à la nécessité qui me rappelle au centre de mes travaux. Plus nous approchons du dénoûment, moins il m’est permis de disposer de mon temps; l’urgence de ce qui me reste à faire ne tardera pas à se faire sentir, et il m’est enjoint de m’en occuper sans relâche, afin d’être prêt quand l’heure sonnera.

Loin de moi cependant, la pensée de m’enorgueillir du succès de nos travaux ; s’ils ont quelque valeur, l’honneur en revient aux bons Esprits sans lesquels je ne serais pas sorti de l’obscurité. Qui suis-je dans le grand mouvement qui s’opère ? Une cheville ouvrière, et je m’estime heureux de pouvoir ajouter : un homme de bonne volonté. J’ai accepté la tâche, et je m’efforce de la remplir de mon mieux. Je ne m’en suis point dissimulé les aspérités, et c’est en parfaite connaissance de cause, et avec la prévision de toutes ses conséquences que je m’y suis engagé. Bien fou serait celui qui, dans une œuvre de réforme quelconque espérerait s’y faire un lit de roses en ce monde, et ceux qui jalousent ma position ne savent pas ce qu’ils envient.

Cependant ne croyez pas que les tribulations qui en sont inséparables soient sans compensations, j’en ai de bien grandes et de bien douces, au premier rang desquelles je dois placer la faveur exceptionnelle d’être témoin, de mon vivant, des succès de la doctrine dont je me suis fait le promoteur. Chaque heureux qu’elle fait, chaque consolation qu’elle procure, chaque larme qu’elle tarit, chaque courage abattu qu’elle relève, me paient au centuple de toutes mes fatigues. Je me dis qu’une doctrine toute d’amour et d’espérance, fondée sur les lois même de la nature, ne peut périr, parce qu’elle répond aux besoins les plus impérieux, aux aspirations les plus constantes des hommes. Oui, c’est une bien grande satisfaction d’être témoin de pareils résultats, et de pouvoir se dire qu’on y a coopéré; ce n’est pas, je vous assure, la payer trop cher que de l’acheter au prix de quelques tribulations.

Que sera-ce donc si, portant mes regards en avant, j’entrevois l’humanité toute entière, conviée au grand banquet de la fraternité, les peuples se donnant la main au nom des principes de la doctrine, la société régénérée fleurir sous le règne de la justice qui est le règne de Dieu ? Que sera-ce si, les portant encore plus avant, par delà la vie terrestre, la pensée découvre, sous le voile levé par le spiritisme, les splendides horizons du monde invisible ? Si elle entend les accents joyeux des Esprits purifiés par les nouvelles croyances ? À celui qui considère les choses de ce point culminant, les vicissitudes de la vie paraissent comme des taches à peine visibles sur un fond lumineux ; les petites misères suscitées par la malveillance lui sont moins sensibles que le frôlement de l’insecte malfaisant, les éclats de boue lancés par l’envie et la jalousie ne pouvant l’atteindre ni troubler la sérénité de son âme. Le calme, au milieu des orages de la vie, n’est pas un des moindre bienfaits de la doctrine, et c’est un bienfait dont jouit inévitablement quiconque s’en assimile les principes. Comme Jésus a dit : mon royaume n’est pas de ce monde, lui aussi peut dire : « Sur la terre, n’est pas ma véritable patrie, je n’y suis qu’un passant ; que m’importent les désagréments de ce séjour momentané, si, à ce prix, je puis m’assurer une place meilleure dans le séjour définitif ! »

Loin de moi aussi la pensée de me croire indispensable ; les ouvriers capables et dévoués ne manquent pas dans les grands chantiers du Seigneur, et tous ont leur mission, petite ou grande, car personne n’est inutile. Si j’eusse failli à ma tâche, j’eusse été bientôt mis de côté et remplacé ; de même que, lorsqu’elle sera terminée, mon séjour ici-bas ne sera pas de longue durée, et alors un autre prendra le gouvernail en mains. Quel est-il ? Nul ne le sait, car il doit s’élever dans l’ombre ; tout ce qu’il est permis de dire, c’est que le spiritisme étant dans les desseins providentiels pour la régénération de l’humanité, Dieu ne laissera pas son œuvre inachevée. Celui qui en prendra les rênes se révélera quand le moment sera venu, mais ce ne sera pas celui qui en aura conçu la pensée de dessein prémédité ; il y sera conduit par la force des choses et non par sa volonté ; il se révélera par ses actes, et non par ses prétentions. Peut-être en ce moment est-il encore sur les bancs de l’école ou courbé sous le poids du travail pour gagner sa vie, comme les pêcheurs du lac de Génésareth, s’ignorant lui-même, mais élaborant, comme Esprit, la mission qui lui sera confiée ; peut-être aussi a-t-il déjà essayé ses forces, et fait ses preuves dans les exercices de l’intelligence ; peut-être enfin s’en trouve-t-il dans chacune de ces positions, car il n’y a point de missions fatales. L’Esprit, en s’incarnant, sait ce à quoi il est destiné, et ce qu’il doit entreprendre ; comme homme, il l’ignore jusqu’au moment où il doit l’accomplir, et souvent il le fait inconsciemment, c’est-à-dire sans se douter qu’il remplit une mission ; mais la réalisation est subordonnée aux conditions qu’il remplira pendant la vie ; il peut reculer au moment décisif ; faillir aux conditions nécessaires ; compromettre le succès par son orgueil ou son défaut de prévoyance ; n’avoir pas toute l’abnégation que comporte une vie de dévoûment ; c’est pourquoi, pour chaque mission importante, il y a toujours plusieurs candidats, afin que si l’un fait défaut, il puisse être suppléé, les desseins de Dieu ne pouvant être à la merci du caprice ou des faiblesses des hommes. Or, la mission de l’un de ceux qui seront appelés à diriger un jour le spiritisme sera grande, car c’est à lui qu’incombera de le consolider et de lui faire porter les fruits qu’il promet. Ce sera, je vous assure, un grand Esprit, devant lequel tous s’inclineront, car il aura l’autorité.

Quant à moi, je ne fais que frayer la voie et déblayer le terrain ; mais, je ne suis pas seul ; si j’ai, l’un des premiers, montré la route, des milliers d’autres sont venus apporter un concours efficace, en payant de leur personne. Quiconque travaille avec zèle, dévoûment, et surtout abnégation, à la propagande de l’idée émancipatrice ; quiconque, fort de sa foi et pénétré de l’importance du but à atteindre, persévère jusqu’à la fin, brave la persécution, lutte avec fermeté contre les obstacles, sans se laisser émouvoir par les sarcasmes, les injures et la calomnie, accomplit une mission. Le spiritisme en compte déjà bon nombre en différents pays, sans parler de tous ceux qui, sur une moindre échelle, n’en sont pas moins d’utiles auxiliaires.

Nous sommes donc tous des ouvriers de l’œuvre régénératrice ; voilà pourquoi je n’accepte la présidence dans aucune autre réunion que la mienne, ce qui impliquerait l’idée d’une prééminence que je n’ai jamais recherchée, ne voulant pas que celui à qui l’honneur de présider incombe de droit, en soit privé à cause de moi. Si la critique s’est plu à me décorer de certains titres, les spirites me rendront, je pense, la justice de reconnaître que, ni dans mes écrits, ni autrement, je ne m’en suis attribué aucun. Il n’y a donc ici ni chef, ni grand maître, ni grand prêtre, mais un simple frère, heureux de communier avec ses frères en croyance.

Le spiritisme repose partout sur la même base : l’existence et la manifestation des Esprits. On peut différer sur quelques points de détails, sur la manière d’envisager certaines questions, et sur les conséquences à en tirer ; quelques-uns croient pouvoir l’allier aux croyances religieuses dont ils ont été nourris, comme d’autres peuvent vouloir l’en isoler ; c’est une affaire d’opinion, mais non un motif pour se voir d’un mauvais œil. S’il proclame la fraternité universelle ; s’il considère la liberté de conscience comme un droit naturel, et la tolérance comme un devoir ; s’il fait une loi de la charité, sans acception de castes ni de sectes, à plus forte raison doit-il en être ainsi entre gens qu’unit un même fond de croyance. On peut ne pas approuver une manière de voir, sans jeter la pierre à ceux qui la professent, ce qui serait faire un acte anti-spirite, et mentir à sa propre devise. Plaignons ceux qui nous la jettent, mais ne la leur renvoyons pas.

Tous les spirites à quelque nuance qu’ils appartiennent; qu’ils soient Américains, ou Européens, Kardéciens, comme on dit, ou autres, quel que soit le nom qu’on leur donne, doivent donc, s’ils sont conséquents avec leurs principes, se tendre la main, en songeant qu’ils marchent au même but : l’émancipation morale de l’humanité.

Par les motifs que je viens de développer, permettez moi, messieurs, et chers frères, de vous proposer un toast multiple :

1.º À la société spirite de Bordeaux et en particulier à son digne président : félicitations pour l’ordre et l’intelligence qui président à ses travaux !

2.º À tous les zélés défenseurs de la doctrine ; que leurs noms soient inscrits au Panthéon du spiritisme pour l’édification des spirites futurs !

3.º Aux spirites des États-Unis d’Amérique, qui, les premiers, ont ouvert la voie à la doctrine nouvelle : Salut de cordiale fraternité !

4.º Aux spirites du monde entier, sentinelles avancées de la doctrine et qui en répandent la semence sur tous les points du globe. Puissent-ils par leur zèle à propager les principes de fraternité, hâter le moment où les peuples verront les luttes sanglantes remplacées par les luttes pacifiques et seules profitables à l’intelligence !

5.º Enfin, Messieurs, dans cette réunion de famille, destinée à resserrer les liens fraternels par une sainte communion de pensée, n’oublions pas nos frères qui sont partis avant nous ; qu’un bon souvenir les appelle parmi nous ! Payons aussi un tribut de reconnaissance aux bons Esprits pour les enseignements qu’ils viennent nous donner et pour la protection dont ils entourent l’œuvre nouvelle, et la sagesse avec laquelle ils la conduisent. Efforçons-nous de les seconder en imitant leur prudence.

Messieurs, dans le toast collectif que j’ai porté aux zélés adeptes de la doctrine, je n’ai cité aucun nom propre ; la liste en eût été trop longue. Cependant, vous ne me désavouerez pas, je pense, si je vous propose de donner un témoignage spécial de sympathie et de reconnaissance à deux hommes dont le dévoûment vous est bien connu, quoique n’appartenant pas à cette ville, l’un par la fermeté avec laquelle, il tient haut placé le drapeau du spiritisme malgré sa position officielle, l’autre par le zèle intelligent et à toute épreuve avec lequel il se consacre au soulagement de la souffrance.

L’un et l’autre ont non seulement puissamment contribué à vulgariser la doctrine dans leurs alentours mais ils ont su la faire aimer et respecter par leur exemple. L’un est M.r le Vice-Président Jaubert de Carcassonne ; l’autre, M.r Dombre de Marmande.

Je propose de déclarer que tous les deux ont bien mérité du spiritisme.