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Rascunho de carta para o senhor Louis Jourdan - 02/11/1863

Paris, 2 de novembro de 1863.

Senhor Louis Jourdan.

Casa do senhor Mansor, rua Saint Ferdinand, 4.

Ternes, Paris.

Senhor,

Conhecendo sua simpatia, se não por todos, ao menos por alguns dos princípios que professamos, peço-lhe que aceite a Revista Espírita, cujos números desde primeiro de janeiro último acabam de lhe ser enviados; proponho-me, se isso lhe for agradável, enviar-lhe doravante os demais à medida que aparecerem.

Se suas ocupações lhe permitirem dar uma olhada nela, reconhecerá, sem dificuldade, penso, que esta doutrina conduz inevitavelmente, e por uma via segura, a todas as reformas sociais perseguidas pelos homens de progresso e que ela acarretará forçosamente a ruína dos abusos contra os quais o senhor se insurge com tão notável talento. Sua rápida propagação e o pavor que ela causa no partido clerical são uma prova de que nela se vê algo além de uma efêmera utopia.

Quem quer que a estude no seu princípio e nas suas consequências, nela verá toda uma revolução moral; em vez de tomar o edifício apenas pelo topo, ela o toma pela base e lhe dá sólidos alicerces no coração dos homens, inspirando-lhes a fraternidade efetiva e destruindo-lhes o egoísmo, verme roedor de todas as instituições liberais que repousam apenas na materialidade.

Se aqueles que escarnecem o Espiritismo se dessem ao trabalho de o aprofundar, teriam visto nele outra coisa que uma série de fenômenos mais ou menos curiosos, e teriam compreendido que esses fenômenos são um meio de atingir um fim [ileg.]. O clero que, ao compreender o escopo dela, não a escarnece: fica furioso. É que vê na nossa máxima: “Fora da caridade não há salvação” a ruína desta: “Fora da Igreja não há salvação”.

Como se explica que homens de progresso sejam mais cegos que o clero?

Eu me estenderia mais sobre esse assunto se tivesse a enorme felicidade de poder um dia conversar com o senhor.

No aguardo, aceite, senhor, a expressão de meus mais distintos sentimentos,

Allan Kardec.

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Paris 2 9bre 1863.

M. Louis Jourdan.

Chez M.r <Mansor> rue St. Ferdinand 4 [illis.].

Aux <Ternes> - Paris.

Monsieur,

Connaissant votre sympathie, sinon pour tous, du moins pour quelques-uns des principes que nous professons, je vous prie de vouloir bien accepter la Revue Spirite dont les n.os depuis le 1er janvier dernier viennent de vous être adressés ; me proposant, si cela peut vous être agréable de vous les adresser dorénavant à mesure qu’ils paraîtront.

Si vos occupations vous permettent d’y jeter un coup d’œil, vous reconnaîtrez, sans peine, je pense, que cette doctrine conduit inévitablement, et par une voie sûre, à toutes les réformes sociales poursuivies par les hommes de progrès et qu’elle amènera forcément la ruine des abus contre lesquels vous vous élevez avec un si remarquable talent. <Sa> rapide propagation et l’effroi qu’elle cause au parti clérical sont une preuve qu’on y voit autre chose qu’une utopie éphémère.

Quiconque l’étudie dans son principe et dans ses conséquences, y voit toute une révolution morale ; seulement au lieu de prendre l’édifice par le faîte, elle le prend à sa base, et lui donne de solides assises dans le cœur des hommes, en leur inspirant la fraternité effective, et en détruisant l’égoïsme, ver rongeur de toutes les institutions libérales qui ne reposent que sur la matérialité.

Si ceux qui raillent le Spiritisme s’étaient donné la peine de l’approfondir, ils y auraient vu autre chose qu’une série de phénomènes plus ou moins curieux, et auraient compris que ces phénomènes sont un moyen pour arriver à un but [illis.]. Le clergé qui en comprend la portée ne le raille pas : il se met en fureur. C’est qu’il voit notre maxime : Hors la charité point de salut, la ruine de celle : Hors l’Église point de salut.

Comment se fait-il que des hommes de progrès soient plus aveugles que le clergé ?

Je m’étendrai davantage sur ce sujet si je suis assez heureux pour pouvoir un jour m’entretenir avec vous.

Recevez en attendant, Monsieur, l’expression de mes sentiments les plus distingués,

A.K.