Manuscrito

Rascunho de carta para o senhor Varey [25/07/1863]

Senhor Varey pai, em Boulogne.

25 de julho de 1863.

Meu caro senhor Varey,

Estou surpreso por não haver recebido nenhuma carta sua desde sua viagem a Paris. Seu filho, como sabe, veio me ver e foi um prazer poder ajudá-lo material e moralmente, tanto quanto me foi possível, na triste situação em que ele se encontrava; e o fiz não só de boa vontade, pois pude me assegurar que ele é menos culpado do que se acreditava. O erro dele foi demitir-se na fé de uma promessa arriscada; houve, portanto, mais imprudência que falta real. Consta que ele era querido e estimado pelos seus chefes; pude verificar que ele é inteligente, laborioso e sem vícios. O que houve não foi absolutamente o resultado de má conduta, eis o que lhe posso assegurar. Haveria, pois, mais imprudência ainda em deixá-lo sem recursos nas calçadas de Paris, pois a fome é má conselheira, e mais de uma vez ele dormiu sem ter comido. Hoje, graças às recomendações que eu lhe proporcionei, ele está em vias de sair dos problemas; mas, até que possa se recompor, ele ainda precisa de um pouco de ajuda, inclusive para poder aproveitar o que tem em mãos. Também tenho plena confiança que o senhor acolherá paternalmente o pedido que ele lhe envia, e que venho apoiar, invocando, se necessário, a estima e a confiança que o senhor gentilmente me testemunha.

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M. Varey père à Boulogne.

25 juillet 1863.

Mon cher M. Varey,

Je me suis étonné de n’avoir reçu de vous aucune lettre depuis votre voyage à Paris. Votre fils, vous le savez, est venu me voir et je me suis fait un plaisir de lui venir en aide matériellement et moralement autant que cela a été en mon pouvoir dans la triste position où il se trouvait ; je l’ai fait d’autant plus volontiers que j’ai pu m’assurer qu’il est moins coupable qu’on ne le croyait. Son tort a été de donner sa démission sur la foi d’une promesse hazardée ; il y a donc eu plus d’imprudence que de faute réelle. Il est constant qu’il était aimé et estimé de ses chefs ; j’ai pu reconnaître qu’il est intelligent, laborieux, et non vicieux, ce qu’il doit n’est point le résultat de l’inconduite, voilà ce que je puis vous certifier. Il y aurait donc eu plus d’imprudence encore à le laisser sans ressources sur le pavé de Paris, car la faim est une mauvaise conseillère, et il s’est plus d’une fois couché sans avoir mangé. Aujourd’hui grâce aux recommandations que je lui ai procurées, il est en voie de se tirer d’affaire ; mais jusqu’à ce qu’il soit à flot, il lui faut encore un peu d’aide, même pour pouvoir profiter de ce qu’il a entre les mains. Aussi ai-je pleine confiance que vous accueillerez paternellement la demande qu’il vous adresse, et que je viens appuyer, en invoquant, si cela est nécessaire l’estime et la confiance que vous voulez bien me témoigner.

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