Manuscrito

Comunicação [17/01/1864]

Função do Perispírito

Nós observamos que até o presente acreditou-se, segundo os primeiros dados espíritas, que o Espírito jamais se separava de seu corpo espiritual ou perispírito; que esse perispírito, estando unido ao corpo por um laço fluídico que advertia o Espírito quando lhe era necessário retornar ao seu dever.

Essa explicação era suficiente para o momento em que foi dada; você deve entrar no coração de todas as questões; devemos dissecar os efeitos para encontrar a causa. Este é o trabalho que me foi confiado vos fazer realizar no que entra na especialidade dos meus estudos.

Compreendamos bem a natureza da alma com o perispírito, como vós a designais.

O perispírito é o corpo fluídico, o intermediário, o agente, o condutor das sensações corporais e das sensações espirituais; isso já foi estabelecido e bem compreendido. Mas o que é menos compreendido é que o perispírito é um confinamento no corpo, que dele faz parte durante todo o tempo da encarnação, e que ele não se desprende para seguir o Espírito durante seus momentos de liberdade temporária.

Considerei, pois, de maneira mais real e mais natural a liberdade do Espírito, assim como a comunicação espiritual instantânea entre os Espíritos e os encarnados entre si.

Quando o Espírito se afasta de seu perispírito para aproveitar de sua liberdade, ele permanece unido a ele pelo laço fluídico do qual vos foi falado; agente elétrico que o repele de volta ao seu posto quando há urgência.

Espíritos encarnados possuem um corpo fluídico, mas o Espírito propriamente dito é livre de suas impressões, que são muitas vezes independentes do corpo fluídico. Assim, em estado de desencarnação, um Espírito pode ter seu corpo fluídico bem distante do lugar onde ele se manifesta espiritualmente.

Expliquemos então que a eletricidade espiritual é o grande agente da transmissão espiritual, assim como a eletricidade fluídica material o é da transmissão material.

Cada corpo espiritual possui, se assim me posso exprimir, um aparelho elétrico que o acompanha por toda parte onde se move; esse aparelho tem fluidos condutores que correspondem aos Espíritos e encarnados com os quais entra em contato; cada vez que ele deseja corresponder espiritualmente, seu pensamento chega pronto como o relâmpago ao Espírito encarnado ou desencarnado a quem ele queria se dirigir; do mesmo modo que o pensamento de outro Espírito ou encarnado lhe chega por meio elétrico. Há, pois, troca de pensamento sem locomoção do corpo espiritual, e isso por meio da eletricidade espiritual.

Mas para que essa representação elétrica possa se produzir, é necessário estabelecer as condições obrigatórias para a transmissão; é necessário dispor desses aparelhos para que eles possam funcionar, é necessário organizá-los empregando os fluidos necessários nessa afinidade elétrica. Este é o trabalho preparatório que o Espírito deve primeiro realizar para então produzir a mediunidade; esse trabalho é indispensável para toda comunicação; ele é frequentemente muito difícil, sobretudo quando o Espírito que vem comunicar-se com um ser que está envolvido por um fluido completamente contrário, impedindo. fluido contrário ao seu. Ele precisa então de um longo trabalho para conseguir; não podendo comunicar-se de imediato por si mesmo, emprega um Espírito mais em relação fluídica com seu amigo e lhe faz transmitir seu pensamento e seus conselhos que, germinando no seu coração e em seu espírito, devem levá-lo a trabalhar seu moral e por conseguinte a natureza de seus fluidos, o que enfim permite estabelecer a comunicação completa.

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Méd. Mlle Chedeaux

17 Janvier 1864

Fonction du Périsprit

Nous remarquerons que jusqu'à présent on a cru, d'après les premières données spirites, que l'Esprit ne se séparait jamais de son corps spirituel ou périsprit ; que ce périsprit étant réuni au corps par un lien fluidique qui avertissait l'Esprit lorsqu’il lui fallait revenir à son devoir.

Cette explication était suffisante pour le moment où elle a été donnée ; mais aujourd’hui, il vous faut entrer dans le cœur de toutes les questions ; il faut disséquer les effets pour trouver les causes. C’est le travail que je suis chargé de vous faire faire pour ce qui entre dans la spécialité de mes études.

Comprenons bien la nature de l’âme ou périsprit comme vous la désignez.

Le périsprit est le corps fluidique, l’intermédiaire, l’agent, le conducteur de sensations corporelles et de sensations spirituelles ; cela a déjà été établi et bien compris. Mais ce qui l’est moins, c’est que le périsprit est uni entièrement au corps, qu’il en fait partie pendant tout le temps de l’incarnation et qu’il ne s’en détache pas pour suivre l’Esprit pendant ses moments de liberté temporaire.

Envisagez donc d’une manière plus réelle et plus naturelle la liberté de l’Esprit, ainsi que la communication spirituelle instantanée des Esprits et des incarnés entre eux.

Lorsque l’Esprit s’éloigne de son périsprit pour jouir de sa liberté, il lui reste uni par le lien fluidique dont il vous a été parlé ; agent électrique qui le rappelle à son poste lorsque l’urgence y est.

Esprits et incarnés possèdent un corps fluidique, mais l’esprit proprement dit est libre de ses impressions qui sont souvent indépendantes du corps fluidique. Ainsi, à l’état de désincarnation un Esprit peut avoir son corps fluidique bien loin de l’endroit où il se manifeste spirituellement.

Expliquons donc que l’électricité spirituelle est le grand agent de la transmission spirituelle, comme l’électricité fluidique matérielle est celui de la transmission matérielle.

Chaque corps spirituel possède, si je puis dire ainsi, un appareil électrique qui l’accompagne partout où il se meut ; cet appareil a des fluides conducteurs qui correspondent aux Esprits et incarnés avec lesquels il s’est mis en rapport ; chaque fois qu’il veut correspondre spirituellement, sa pensée arrive prompte comme l’éclair à l’esprit incarné ou désincarné auquel il a voulu l’adresser ; de même que la pensée des autres Esprits ou incarnés lui <arrivent / arrive> par le même [verso] moyen électrique. Il y a donc échange de pensées sans locomotion du corps spirituel, et cela par l’électricité spirituelle.

Mais pour que cette répercution électrique puisse se produire, il faut établir les conditions obligatoires pour la transmission ; il faut disposer cet appareil pour qu’il puisse fonctionner, il faut organiser et employer les fluides nécessaires dans cette affinité électrique. C’est là, le travail préparatoire auquel l’Esprit doit se livrer d’abord pour produire ensuite la médiumnité ; ce travail est indispensable pour toute communication ; il est souvent très difficile, surtout lorsque l’Esprit qui veut se communiquer à un être bien cher le trouve enveloppé de fluides tout à fait contraires aux siens. Il lui faut donc un long travail pour y arriver ; ne pouvant se communiquer de suite lui-même, il emploie un Esprit plus en rapport fluidique avec son ami et lui fait transmettre ses pensées et ses conseils qui, germant dans son cœur et son esprit, doivent l’amener à travailler son moral et par conséquent la nature de ses fluides, ce qui permet enfin d’établir la communication complète.

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