Manuscrito
]Sociedade de <Montreuil-sur-Mer>[
]MB
Para publicar]
26 de dezembro de 1862
Oração e concórdia
I
A oração é tão necessária para o homem quanto a mão da enfermeira para uma criança que dá seus primeiros passos; pois se a uma falta a força material para sustentá-la, o outro é quase inteiramente desprovido de força moral suficiente para suportar corajosamente os sofrimentos, os problemas, as desgraças, as adversidades, em uma palavra, as provações da vida. A favor da criança, porém, há isto: ela agarra avidamente o apoio que lhe é oferecido, enquanto o homem parece desprezar o remédio para seus males. Estranha cegueira!
Infeliz daquele que não vê na alegria de que desfruta, ou nos desgostos que suporta, o dedo de Deus, que não tem nenhuma palavra nos lábios para abençoá-lo nem um arrependimento em seu coração para curvá-lo!
O Cristo, esta figura sublime que atravessou o mundo instruindo-o tanto com o seu exemplo quanto com suas palavras, cobrindo com suas longas vestes as iniquidades do povo, sem distinção de classe ou raça, o Cristo orou — tinha ele nossas necessidades?
Homem, inclina-te perante Deus, e se tu desfrutas dos seus dons, paga-lhe o tributo de reconhecimento que lhe deves; vós, pobres, oferecei-lhe a vossa miséria, o cansaço dos vossos membros, o suor do vosso rosto; crianças, é a Deus que pertencem as primeiras batidas do vosso coração, amai-o, orai a ele; mães, ensinai os vossos filhos a balbuciar o seu nome e a abençoá-lo; todos vós, orai.
Mais do que os outros, senhores, devei orar, mas sobretudo orar com o coração. É preciso que a oração brote da alma pura e <suave> como o incenso dos altares.
Não há boa oração sem recolhimento.
II
Devo agora falar-vos de concórdia, de boa harmonia entre vós? Será preciso recordar aos católicos e aos espíritas estas belas e comoventes palavras: Amai-vos uns aos outros? Conhecei os vossos deveres? Cristo colocou-as à vossa disposição. Imitai-o na medida em que a natureza fraca de vós o permita — como ele, sede gentis e humildes de coração, sede obedientes aos seus superiores, pacientes e indulgentes para com os seus iguais, benevolentes com os seus subordinados.
Sede grandes, não por honras e riquezas, mas pela caridade de seus discursos e de suas ações; sede nobres, não daquela nobreza que se vende ou se dá, mas pelos sentimentos. Amai seus irmãos que sofrem, ajudai-os, estendei vossa mão para eles: vós sois todos da mesma família da qual Deus é o pai. Não espereis que os deserdados vos mendiguem moedas de esmola, poupai-os dessa humilhação e sobretudo não lhes deis com ostentação; se o véu do anonimato é permitido, é apenas para ofertas aos pobres. Pouco ou muito, e de acordo com vossas condições, dai sempre com bom coração, pois hoje compreendeis que um copo de água dado aos sedentos não ficará sem recompensa.
Entendida desta forma, a concórdia tem sua serventia.
Maria Hurtrel
Médium <Cabry>



]Société de <Montreuil//M>[
]TB
À publier[
26 Xbre 1862
Prière et Concorde
I
La prière est aussi nécessaire à l’homme que la main de la nourrice l’est à l’enfant qui hasarde ses premiers pas; car si l’un manque de force matérielle pour se soutenir, l’autre est presque entièrement dépourvu de la force morale suffisante pour supporter courageusement les peines, les ennuis, les abattements, les adversités; en un mot les épreuves de la vie. Mais il y a ceci en faveur de l’enfant qu’il saisit avec empressement l’appui qu’on lui prête, tandis que l’homme semble dédaigner le remède à ses maux. Étrange aveuglement!
Malheur à celui qui ne voit pas dans la joie qu’il goûte ou les chagrins qu’il endure, le doigt de Dieu, qui n’a ni un mot sur ses lèvres pour le bénir, ni un regret dans son cœur pour le fléchir !
Le Christ, cette figure sublime qui traversa le monde en l’instruisant autant par son exemple que par ses paroles, s’en couvrant de ses longues draperies les iniquités des peuples, sans distinction de classe, ni de race, le Christ priait — Avait-il nos besoins ?
Homme, prosterne-toi devant Dieu, et si tu jouis de ses dons, paie-lui le tribut de reconnaissance que tu lui dois; vous, pauvres, offrez-lui votre misère, la fatigue de vos membres, la sueur de votre front, enfants, c’est à Dieu qu’appartiennent les premiers battements de votre coeur, aimez-le, priez-le, mères, apprenez à vos fils à bégayer son nom et à le bénir; tous priez.
Plus que les autres, messieurs, vous devez prier, mais surtout prier du cœur. Il faut que la prière s'exhale de l’âme pure et <suave> comme l’encens des autels.
Pas de bonne prière sans recueillement.
II
Et maintenant, dois-je vous parler de concorde, de bonne harmonie entre vous ? Est-ce à des catholiques, a des spirites qu’il est besoin de rappeler ces belles et touchantes paroles: Aimez-vous les uns les autres ? Vous connaissez vos devoirs ? Christ vous les a tracés. – Imitez-le en tant que vous le permet votre faible nature — comme lui, soyez doux et humbles de cœur — soyez soumis envers vos supérieurs, patients et indulgents pour vos égaux, bienveillants avec vos inférieurs. Soyez grands non pas par les honneurs et les richesses, mais par la charité de vos discours et de vos actions; soyez nobles, non pas de cette noblesse qui se vend ou se donne, mais par les sentiments. Aimez vos frères dans la souffrance, soulagez-les, tendez-leur la main : vous êtes tous de la même famille dont Dieu est le père. N’attendez pas que le déshérité vienne vous mendier le denier de l’aumône, épargnez-lui cette humiliation surtout ne donnez pas avec ostentation ; si le voile de l’anonyme est permis, c’est seulement pour les offrandes au pauvre. Peu ou beaucoup, et dans la mesure de vos moyens, donnez toujours de bon cœur, car vous comprenez ]aujourd’hui[ qu’un verre d’eau donné à celui qui a soif ne demeurera pas sans récompense.
Ainsi comprise, la Concorde à son efficacité
Maria Hurtrel
Medium <Cabry>