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Rascunho de carta para o senhor Villeneuve - 07/05/1863

Paris, 7 de maio de 1863.

Ao senhor Villeneuve,

Meu caro senhor,

Estou sensibilizado pelo pesar que o senhor exprime por não ter recebido de mim nenhuma carta após minha viagem a Bordeaux, mas queira crer que esse silêncio não é motivado por nenhum sentimento de desestima ao senhor e sim, exclusivamente, pelos trabalhos que me sobrecarregam e me tiram a possibilidade material de manter em dia minha correspondência com todas as pessoas que me testemunham sua benevolente simpatia. Pela mesma razão, não posso discutir por escrito os pontos de doutrina controvertidos pelos que não partilham de minhas opiniões de maneira completa. Minhas obras tratam de todas essas questões e eu nada poderia acrescentar que não fosse repetição sem utilidade, que me tomaria tempo de que não posso dispor senão por necessidade absoluta.

Conservo, queira crer, senhor, a melhor lembrança da amável acolhida que recebi em sua casa, quando de minha passagem por Bordeaux, e peço-lhe que receba meus sinceros agradecimentos, extensivos à senhora Villeneuve, cuja boa lembrança agradeço-lhe por ter-me trazido à memória.

Quanto à Revista, busquei me informar do motivo pelo qual o senhor não a estava recebendo, e a resposta foi que sua assinatura não havia sido renovada.

Lembrei-me então que o senhor me havia pago pessoalmente em Bordeaux; o pagamento estava devidamente registrado; mas por um esquecimento da pessoa encarregada deste cuidado, a quem eu já chamei atenção pela negligência, seu nome foi omitido da lista. Rogo-lhe que queira perdoar por esse erro, e apresso-me a enviar-lhe pelo correio de hoje os números publicados. Estou bastante pesaroso por esse contratempo que teve o duplo inconveniente de o contrariar, como era muito natural, e de o fazer supor de minha parte uma ideia que estava bem longe de mim.

Queira receber, caro senhor, a renovada certeza de minha fraternal estima.

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Paris 7 mai 1863.

M. de Villeneuve.

Mon cher Monsieur,

Je suis très sensible au regret que vous exprimez de n’avoir pas reçu de lettre de moi depuis mon voyage à Bordeaux, mais veuillez croire que ce silence n’est motivé par aucun sentiment de mésestime et que les travaux dont je suis surchargé en sont seuls la cause, étant dans l’impossibilité matérielle d’entretenir une correspondance régulière avec toutes les personnes qui me témoignent chaque jour leur bienveillante sympathie. Par la même raison je ne puis discuter par écrit les points de la doctrine controversés par ceux qui ne partagent pas mes opinions d’une manière complète. Mes ouvrages traitant toutes ces questions, je ne pourrais rien y ajouter qui ne fût une répétition sans utilité, et cela me prendrait un temps dont je ne puis disposer sans une nécessité absolue.

Je conserve, je vous prie de le croire, Monsieur, le meilleur souvenir de l’aimable accueil que j’ai reçu chez vous à mon passage à Bordeaux, et vous prie d’en recevoir mes bien sincères remercîments, ainsi que Madame de Villeneuve, au bon souvenir de laquelle je vous prie de vouloir bien me rappeler.

Quant à la Revue, je me suis informé des motifs pour lesquels vous ne la receviez pas ; il m’a été répondu que votre abonnement n’avait pas été renouvelé.

Je me suis alors rappelé que vous m’aviez payé votre abonnement à Bordeaux ; la somme reçue était parfaitement inscrite, mais par un oubli de la personne chargée de ce soin, et à qui j’ai reproché sa négligence votre nom a été omis sur la liste. Je vous prie de vouloir bien excuser cette erreur que je m’empresse de faire réparer en vous faisant expédier, par le courrier de ce jour, les n.os parus. Je suis au regret de ce contretemps qui a eu le double inconvénient de vous contrarier, comme cela était très naturel, mais encore de vous faire supposer de ma part une pensée qui était loin de moi.

Recevez je vous prie, mon cher Monsieur la nouvelle assurance de mon fraternel dévoûment.