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Rascunho de carta para [?] - 13/06/1865

]13 de junho de 1865.[

Meu caro senhor,

O senhor estava certo em não duvidar da parte que eu aceitaria nas tribulações que lhe chegam, e gostaria de ajudá-lo, com todo o coração, a se beneficiar das peças de teatro que o senhor me deu. Por mais doloroso que seja, no entanto, devo tirar-lhe a ilusão que o senhor deve ter a esse respeito. O senhor não pode imaginar a dificuldade para representar as melhores peças de novos autores; já é muito difícil obter uma leitura simples, e como os novos autores não possuem necessariamente a experiência com a cena, são forçados a adicionar um colaborador cujo nome já seja conhecido e apreciado pelo público, e quando não se pertence ao grupo, não é fácil encontrá-los. Então, suponho que a peça recebida permanecerá por anos encaixotada. Muitas vezes também, as peças que parecem boas na audição falham com o público, e não rendem nada. A profissão de autor iniciante é uma profissão penosa, de decepções, de humilhações. Quem não tem nada para viver e aguarda o produto de suas obras certamente morrerá de fome. Somente as novidades são favorecidas, e nos teatros secundários, mas são raras exceções. Quanto às peças em verso, a menos que sejam zombarias burlescas, são recebidas somente em teatros de primeira classe, e é aí que vemos autores reconhecidos aguardando de 10 a 15 anos antes de serem exibidos. Veja <Rousart> e tantos outros.

Eu vi isso de perto, caro senhor, e lhe falo com conhecimento de causa, excluindo do mérito suas peças que ainda não tive tempo de ler; mas, supondo que sejam obras-primas, o senhor não poderia escapar das vicissitudes que lhe aponto. Seria, portanto, completamente ilusório contar com isso para uma necessidade urgente.

Gostaria de ter mais coisas lisonjeiras a lhe dizer a esse respeito, mas é muito melhor que o senhor saiba imediatamente o que esperar.

Receba, caro senhor, a nova garantia de minha simpatia bem sincera e fraternal,

Allan Kardec.

P.S.: Apenas dei uma olhada em suas peças; por sua natureza, pertencem ao gênero do Teatro Francês e do Odéon, e por essa mesma razão estão nas condições mais desfavoráveis. Não falo do mérito da versificação, que apenas um exame aprofundado pode avaliar, mas, à primeira vista, constatei que elas carecem das condições cênicas, sem as quais nenhum sucesso é possível; elas precisarão do retoque de um homem experiente e profissional.

]Senhor.

Senhor Allan Kardec em Paris.[

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]13 juin 1865.[

Mon cher Monsieur,

Vous avez eu raison de ne pas douter de la part que je prendrais aux tribulations qui vous arrivent, et je voudrais de toute mon âme vous aider à tirer parti des pièces de théâtre que vous m’avez fait remettre. Quelque pénible que cela soit, je dois cependant vous ôter l’illusion que vous vous êtes faite à cet égard. Vous ne pouvez vous faire une idée de la difficulté qu’il y a de faire jouer les meilleures pièces d’auteurs nouveaux ; il est déjà très difficile d’obtenir une simple lecture, et comme les auteurs nouveaux manquent nécessairement de l’expérience de la scène, on leur impose de s’adjoindre un collaborateur dont le nom est déjà accrédité auprès du public, et quand on n’est pas de la coterie, il n’est pas facile d’en trouver. Puis, en supposant la pièce reçue, elle languit souvent des années dans les cartons. Souvent aussi les pièces qui paraissent bonnes à l’audition, échouent devant le public, et elles ne rapportent rien. Le métier d’auteur débutant est un métier de galère, de déceptions, d’humiliations. Celui qui n’a pas de quoi vivre et qui attend le produit de ses œuvres est sûr de mourir de faim. Les actualités seules, et cela dans les théâtres secondaires, obtiennent parfois des tours de faveur, mais ce sont de si rares exceptions. Quant aux pièces en vers, à moins que ce ne soient des bouffonneries burlesques, elles ne sont reçues que dans les théâtres de premier ordre, et c’est là surtout qu’on voit des auteurs de mérite attendre <des> 10 et 15 ans avant d’être joués. Voyez <Rousart> et tant d’autres.

J’ai vu cela de près, cher M. et je vous parle en connaissance de cause, abstraction faite du mérite de vos pièces que je n’ai pas eu <encore> le temps de lire ; mais en les supposant des chefs d’œuvre, vous ne pourriez échapper aux vicissitudes que je vous signale. Il serait donc tout à fait illusoire de compter dessus pour un besoin pressant.

Je regrette de n’avoir pas des choses plus flatteuses à vous dire à cet égard, mais il vaut beaucoup mieux que vous sachiez de suite à quoi vous en tenir.

Recevez cher Monsieur, la nouvelle <assurance> de ma bien sincère et fraternelle sympathie,

A.K.

P.S.* Je viens de jeter un coup d’œil sur vos pièces ; par leur nature elles appartiennent au genre du Théâtre Français et de l’Odéon, et par cela même sont dans les conditions les plus défavorables. Je ne parle pas du mérite de la versification <qu’un> examen approfondi peut seul faire apprécier, mais à première vue j’ai constaté qu’elles manquent des conditions scéniques sans lesquelles aucun succès n’est possible ; elles auraient donc besoin de la retouche d’un homme expérimenté et du métier.

]Monsieur.

Monsieur Allan Kardec a Paris.[