Manuscrito

Rascunho de Carta [DD/MM/AAAA]

Nota sobre a carta da senhorita Machetay

Esta senhorita, que eu não conhecia de modo algum, veio um dia me comunicar com mistério vários sonhos alegóricos que, dizia ela, tinha se tornado realidade para coisas pessoais, do que concluía a realização de outro sonho concernente à vida do Imperador. Havia, nessa última visão, um segredo, o verdadeiro cerne da questão, que ela não queria revelar senão ao próprio Imperador; esse segredo era um nome próprio.

Ela tinha, segundo dizia, muito do que reclamar de um general que fora causa da perda de sua fortuna, a tal ponto que nada mais possuía, encontrando-se na necessidade de procurar um emprego como dama de companhia.

Ela voltou várias vezes para me pedir conselhos, dizendo que sua obstinação em guardar o segredo desse nome punha em risco sua liberdade; que o Prefeito de polícia a havia mandado chamar etc.

Eu disse a ela o que a prudência aconselhava a fazer em semelhante caso, em seu próprio interesse, e o que eu já havia dito em muitas outras circunstâncias semelhantes.

Ela insistiu várias vezes, para me contar as peripécias desse assunto, à qual percebi que desejaria poder associar meu nome. Me pareceu, além disso, evidente que seu objetivo, ao tentar falar com o Imperador, era contar-lhe suas queixas contra o general, e interessá-lo por ela à favor da revelação que ela lhe faria.

Pensando então, certo ou errado, que eu estava lidando com um intrigante, ou que poderia se tratar de uma armadilha, eu me mantive com ela a maior reserva. Um dia em que ela voltou novamente para me falar de suas tribulações a esse respeito, da necessidade que ela teria de se expatriar, eu disse a ela que não tinha absolutamente nada a acrescentar aos conselhos que já lhe havia dado; que era inútil me ocupar mais desse assunto, da qual eu não queria me envolver, e à qual minhas ocupações não me permitiam consagrar mais tempo.

Foi após essa última entrevista, que não a satisfez, que ela me escreveu a carta anexa e eu tive de me aplaudir por ter agido daquela forma.

001
001
002
002

Note sur la lettre de Mlle Machetay.

Cette demoiselle, que je ne connaissais point, vint un jour me communiquer avec mystère plusieurs rêves allégoriques qui, disait-elle, s’étaient réalisés pour des choses personnelles, d’où elle concluait à la réalisation d’un autre rêve concernant la vie de l’Empereur. Il y avait, dans cette dernière vision, un secret, le vrai nœud de l’affaire, qu’elle ne voulait révéler qu’à l’Empereur lui-même ; ce secret était un nom propre.

Elle avait, selon elle, beaucoup à se plaindre d’un général qui était cause de la perte de sa fortune, si bien qu’elle n’avait plus rien, et se trouvait dans la nécessité de chercher un emploi de dame de compagnie.

Elle revint plusieurs fois pour me demander des conseils, disant que son obstination à garder le secret de ce nom mettait sa liberté en danger ; que le Préfet de police l’avait fait mander, etc.

Je lui dis ce que la prudence conseillait de faire en pareil cas dans son propre intérêt, et ce que j’avais dit en maintes autres circonstances pareilles.

Elle revint plusieurs fois à la charge, pour me raconter les péripéties de cette affaire à laquelle je m’aperçus qu’elle [2] aurait voulu pouvoir mêler mon nom. Il me parut en outre évident que son but, en cherchant à parler à l’empereur, était de lui dire ses griefs contre le général, et de l’intéresser à elle à la faveur de la révélation qu’elle lui ferait.

Pensant alors, à tort ou à raison, que j’avais affaire à une intrigante, ou que ce pouvait être un piège, je me tins avec elle sur la plus grande réserve. Un jour qu’elle revint encore me parler de ses tribulations à ce sujet, de la nécessité où elle allait être de s’expatrier, je lui dis que je n’avais absolument rien à ajouter aux conseils que je lui avais donnés ; qu’il était inutile de m’entretenir davantage de cette affaire dont je ne voulais pas me mêler, et à laquelle mes occupations ne me permettaient pas de consacrer plus de temps.

C’est à la suite de ce dernier entretien qui ne la satisfit pas, qu’elle m'écrivit la lettre ci-jointe, et je dus m’applaudir d’avoir agi comme je l’avais fait.

20/09/AAAA Carta de Allan Kardec para Amélie Gabrielle Boudet
20/11/AAAA Rascunho de carta de Allan Kardec para Amélie Gabrielle Boudet
27/11/AAAA Comunicação