Manuscrito
Caro senhor,
Li com toda a atenção necessária e com vivo interesse, a carta que me escreveu, e peço-lhe que acredite que não houve nenhuma indiscrição nos detalhes que me deu sobre a mistificação de que o senhor foi objeto.
Sinto-me sempre feliz quando posso ser útil e sou grato àqueles que me fornecem a ocasião.
À primeira vista, disse a mim mesmo que era impossível que o Espírito de São Luís tivesse ditado semelhantes comunicações e que certas passagens deveriam tê-las feito parecer ao menos suspeitas, se não apócrifas. Propunha-me a escrever-lhe longamente a esse respeito, quando São Luís veio, a meu convite e por intermédio de um dos meus excelentes médiuns, o senhor Deslien, dar-me para si uma instrução que resume tudo o que eu poderia lhe dizer. O senhor a encontrará inclusa; recomendo-lhe meditar bem sobre todas as suas palavras e não duvido que nela encontrareis uma resposta satisfatória às vossas legítimas apreensões, ao mesmo tempo que sábios conselhos e um poderoso encorajamento. Acabo de relê-la e nada saberia dizer além disso. Eu aproveitarei, se for o caso, a autorização que me concede para publicar o fato como assunto de instrução para todo o mundo, e então farei seguir de algumas reflexões pessoais. Vai sem dizer que nada, neste relato, poderá indicar sua proveniência.
Peço-lhe, caro senhor, que diga à senhorita Marie que tomo sincera parte na desventura dela, mas estou persuadido de que é um mal para um bem, e que ela deve considerar-se feliz por ter saído apenas com uma decepção que terá, não duvido, sua compensação.
Recebei, rogo-lhe, caro senhor, as sinceras e fraternais saudações de vosso muito devotado
Cher Monsieur,
J’ai lu avec toute l’attention nécessaire et un vif intérêt la lettre que vous n’avez écrite, et je vous prie de croire qu’il n’y avait aucune indiscrétion dans les détails que vous me donnez sur la mystification dont vous avez été l’objet.
Je suis toujours heureux quand je puis être utile et je sais gré à ceux qui m'en fournissent l'occasion.
Au premier abord, je me suis dit qu’il était impossible que l’Esprit de St. Louis ait dicté de semblables communications, et que certains passages auraient dû vous les faire tenir au moins pour suspectes, si ce n’est pour apocryphes. Je me proposais de vous écrire assez longuement à ce sujet, lorsque St. Louis est venu, sur mon invitation et par un de nos excellents médiums M. Deslien, me donner pour vous, une instruction qui résume tout ce que je pourrais vous dire. Vous la trouverez ci-incluse ; je vous engage à en bien méditer toutes les paroles, et [2] je ne doute pas que vous n’y trouviez une réponse satisfaisante à vos légitimes appréhensions, en même temps que de sages conseils et un puissant encouragement. Je viens de la relire et je ne saurais rien dire de plus. Je profiterai, s’il y a lieu, de l’autorisation que vous me donnez de publier le fait, comme sujet d’instruction pour tout le monde, et alors le ferai-je suivre de quelques réflexions personnelles. Il va sans dire que rien, dans ce récit, ne pourra mettre sur la voie de sa provenance.
Veuillez, je vous prie, cher Monsieur, dire à Mlle Marie que je prends une part sincère à sa mésaventure, mais que je suis persuadé que c’est un mal pour un bien, et qu’elle doit s'estimer heureuse d’en être quitte pour une déception, qui aura, je n’en doute pas, sa compensation.
Recevez, je vous prie, cher Monsieur, les sincères et fraternelles salutations de votre tout dévoué