Item

185F
Carta

Carta de Allan Kardec para Amélie Boudet - 11/09/1863

Sainte-Adresse, 11 de setembro de 1863.

Minha querida Amélie, recebi ontem tua carta, que me causou ainda mais prazer porque eu a esperava com impaciência, e me surpreendi por não tê-la recebido antes. Vejo com satisfação que tudo está bem; quanto a mim, como disse, a uniformidade de minha vida não dá lugar a nenhum incidente digno de ser contado. Limito-me então a te dizer que estou muito bem, melhor mesmo do que no início de minha estadia aqui. Somente com o tempo a influência da mudança de ar se faz sentir; no começo, sente-se sempre um pouco. Faz apenas dois dias que o tempo melhorou, pois tivemos grandes tempestades.

Almocei uma vez na casa da senhora Foulon, e quando lá estive, na quarta-feira à tarde, aquelas senhoras quiseram de todo jeito me segurar para jantar. A senhora Lombard me fez uma deliciosa torta de ameixas. Eu não as revi desde a tua carta e não lhes pude falar do acidente que aconteceu com os dois pequenos cozinheiros.

Quando me escreveres, diz-me se sabes o nome da senhora de Bourg que aqui veio; estou encantado de ver enfim um germe da doutrina nesta região.

Diz ao senhor d’Ambel que sinto também parte da tristeza que ele naturalmente experimentou; todavia, penso que como verdadeiro espírita ele a terá suportado com resignação. No último domingo, fiz uma excursão aos faróis, onde peguei um pé-d’água seguido de bom tempo; lá, jantei no restaurante. Tem uma bela vista, mas pouco diferente daquela dos sinais.

Em anexo, um rascunho de carta que peço ao senhor d’Ambel escrever à senhora Collignon; tu verás se achas conveniente, e em caso contrário faz nela as alterações e supressões que julgues apropriadas.

Adeus, querida Amélie; o tempo de meu retiro está terminando, e logo poderei te abraçar.

Todo teu.

A.K.

Manda lembranças a todos.

Image description
001
Image description
002

S.te Adresse 11 7mbre 1863.

Ma chère Amélie, j’ai reçu hier ta lettre qui m’a fait d'autant plus de plaisir que je l’attendais avec impatience, m’étonnant de ne pas l’avoir reçue plus tôt. Je vois avec satisfaction que tout va pour le mieux ; quant à moi, comme je l’ai dit, l’uniformité de ma vie ne donne lieu à aucun incident digne d’être raconté. Je me borne donc à te dire que je me porte très bien ; mieux même que dans le commencement de mon séjour ici ; ce n’est qu’à la longue que l’influence du changement d’air se fait sentir ; au début il éprouve toujours un peu. Depuis deux jours seulement le temps s’est remis au beau, car nous avons eu de grandes tempêtes.

J’ai déjeuné une fois chez M.me Foulon et mercredi y étant allé dans l’après-midi, ces dames ont absolument voulu me garder à dîner. M.me Lombard m’a fait une tarte aux prunes délicieuse. Je ne les ai pas revues depuis ta lettre et n’ai pu leur annoncer l’accident arrivé aux deux petits cordons bleus.

Quand tu m’écriras, dis moi si tu sais le nom de la dame de Bourg qui est venue ; je suis charmé de voir enfin un germe de la doctrine dans ce pays.

Dis à M.r d’Ambel la part que j’ai prise au chagrin bien naturel qu’il a éprouvé ; cependant je pense qu’en vrai spirite, il l’aura supporté avec résignation. Dimanche dernier je suis allé faire une excursion aux phares où j’ai eu un grain soigné suivi de beau temps ; j’y ai dîné au restaurant. C’est un beau point de vue, mais peu différent de celui des signaux.

Ci-joint un brouillon de lettre que je prie M.r d’Ambel d’écrire à M.me Collignon ; tu verras si tu la trouves convenable, et dans le cas contraire, fais y les changements et suppressions que tu jugeras à propos.

Adieu chère Amélie ; le temps de ma retraite touche à sa fin, et bientôt je pourrai t’embrasser.

Tout à toi.

A.K.

Ne m’oublie auprès de personne.