Biografias

Armand Adrien Greslez

Autoria: Angélica A. Silva de Almeida, Carlos Seth Bastos e Nícolas Amaral de Castro

Armand Greslez nasceu no dia 29 de outubro de 1808 em Eure (Departamento da região de Haute-Normandie) (1) e faleceu em 31 de dezembro de 1886, aos 78 anos de idade (2). Sua ocupação aparece referida em diferentes fontes como contador aposentado, oficial da administração ou funcionário administrativo (3, 4 e 5).

Em seu livro Souvenirs d’un spirite. Les faits sont des choses opiniâtres (6), publicado em 1888, Greslez revela que, na juventude, quase seguiu a carreira eclesiástica:

(...) antes dos dezesseis anos, recusei-me a abraçar a profissão eclesiástica, para a qual fui levado pelas exortações da minha mãe e de várias pessoas que se interessaram por mim. Isso porque eu havia refletido e experimentado dúvidas sobre a veracidade de certos dogmas católicos, e disse a mim mesmo: antes uma vida miserável do que me condenar a pregar a vida inteira uma religião na qual não tenho fé plena (p.14).

Foi no ano de 1863 que teve o primeiro contato com o Espiritismo, iniciando uma investigação dos fenômenos que o levaria à adesão à nova doutrina (6).

Foi em 1863 que tive a oportunidade de ouvir falar do Espiritismo pela primeira vez. Eu havia lido alguns versos atribuídos ao espírito de Béranger1. Fiquei indignado com o autor dessas rimas, que, na minha opinião, não poderia ser o nosso imortal compositor, e isso justamente porque achei a imitação perfeita demais. Eu disse a mim mesmo: o trabalho de Béranger foi lento e difícil, ele demorou, riscou, corrigiu. No outro mundo, esses meios de execução, que lhe são indispensáveis, estão completamente ausentes, e ele não consegue mais produzir nada além de versos soltos e incorretos. Ora, os versos que eu havia lido eram admiravelmente puros e corretos. Eram o verdadeiro Béranger, capturado em seus melhores dias. A odiosidade desse engano aumentou aos meus olhos devido ao talento do imitador. Eu disse a mim mesmo: só os jesuítas poderiam ter preenchido essas duas condições: mentira e habilidade. O Espiritismo é, portanto, uma nova arma em suas mãos. Eles treinam médiuns que decoram trechos de prosa ou verso, pois lhes dizem: veja, observe que o que esses médiuns escrevem não pode sair de seus cérebros, porque está completamente fora de seu alcance. Um dia, compartilhei com um amigo minha opinião hostil sobre o espiritismo. Qual não foi minha surpresa quando ele me garantiu ter certeza da sinceridade dos médiuns? (p. 8)

A partir de então, passou a colaborar intensamente com a imprensa espírita, publicando artigos em diversos jornais especializados e se posicionando como um defensor da causa: “se me deparasse com um artigo antiespiritualista, eu o criticava imediatamente. Foram principalmente as revistas médicas que me proporcionaram essas oportunidades” (6 p. 37). Greslez destacou que sofreu muitas críticas sobre os artigos publicados.

Ainda assim, sua obra foi elogiada por Allan Kardec, que, na Revue Spirite de 1866, destacando positivamente a série de cartas publicada pela União Espírita de Bordeaux, considerando-as uma exposição clara e acessível dos princípios da doutrina espírita (8):

(...) uma exposição clara e sucinta dos princípios da doutrina. Mas essas refutações, multiplicadas em folhetos baratos, têm a vantagem de esclarecer as massas sobre o verdadeiro caráter do Espiritismo e de mostrar que ele encontra defensores sérios em todos os lugares, que precisam apenas de raciocínio para combater seus adversários. Portanto, devemos agradecer ao Sr. Greslez e felicitar a União Espírita de Bordeaux por ter tomado a iniciativa desta publicação.

Entretanto, sua atuação nem sempre foi bem recebida. Greslez foi alvo de críticas e até hostilidades. “Meus artigos espíritas muitas vezes me renderam ataques indecentes, não apenas contra meus escritos, mas também contra minha pessoa. Às vezes, quis inserir uma resposta, o que sempre foi recusado por esses senhores, embora a lei os obrigue formalmente a fazê-lo. É evidente que não procurei processá-los”. Ele relatou que uma de suas brochuras foi queimada em praça pública por exigência de um padre, em uma aldeia próxima a Lyon, devido à capa vermelha, considerada símbolo das chamas infernais (6):

Minha brochura foi homenageada com um auto-de-fé em uma aldeia perto de Lyon. Foi um padre que exigiu esse sacrifício expiatório de seu rebanho. É preciso dizer que a capa era vermelho-escura, a cor das chamas infernais. Alguns espíritas me escreveram para expressar sua simpatia. Allan Kardec, em sua Revista, falou favoravelmente da minha obra (p. 37).

Curiosamente, a relação entre Kardec e Greslez nem sempre foi harmoniosa. Em carta de 1863, ao Sr. Dumas2, Kardec teceu críticas ao entusiasmo irrefletido de Greslez e se mostrou contrário a algumas atitudes de sua esposa e filha:

Meu caro senhor Dumas,

Respondo-lhe às duas bondosas cartas de 31 de outubro e 30 de novembro e junto à presente uma resposta para o senhor Greslez; eu lhe ficarei grato pelo favor de encaminhá-la a ele. Espero que ela acalme um pouco o seu entusiasmo por vezes irrefletido, como no artigo publicado no último número de L’Echo de l’Archéologie, artigo mais nocivo que útil, no que dá ideia falsa da finalidade do Espiritismo e da missão dos Espíritos que se comunicam.

Estive com a senhora e a filha do senhor Greslez; cá entre nós, fiquei muito pouco contente com elas. A senhora Greslez não parece aceitar de boa vontade a crítica das comunicações. Nas que ela me mostrou, assimilei-lhe erros manifestos que não podiam emanar do Espírito elevado sob o nome do qual tinham sido dadas, e embora outras pessoas presentes hajam pensado do mesmo modo, isso, parece, mais a contrariou do que a convenceu. Na primeira sessão à qual ela assistiu, dei-lhe, em nome da Sociedade, a saudação de boas-vindas, como a um espírita estrangeiro, pedindo-lhe que levasse a nossos irmãos de Sétif a expressão de nossa simpatia; ela não se dignou de testemunhar a menor satisfação. Nessa mesma sessão, foi dada espontaneamente por um Espírito uma notável e tocante comunicação dirigida a ela e à sua filha, na qual se fazia alusão a circunstâncias de família ignoradas do médium. Espantou-me ver que ela não tivesse mostrado desejo de obter a cópia. Em suma, creio que ela se importa mais com o que obtém em Sétif, mesmo com os erros que fariam rir os incrédulos, do que com o que se recebe em Paris. Sua filha é um espírito cético que me parece ter ainda muito que fazer para se tornar espírita sincera (9).

No entanto, segundo relato do próprio Greslez, 1863 foi o ano que ele tomou contato com o Espiritismo pela primeira vez. Podemos levantar a hipótese de que ele ainda não tinha conhecimento suficiente sobre o tema ou clareza para expor suas ideias.

Uma outra hipótese que podemos levantar é que o Sr. Greslez não era uma personalidade de trato fácil. Além das tensões com Kardec, Greslez também foi duramente criticado por figuras como o secretário do jornal L’Africain, Sr. Picot, que o acusou de ter um temperamento difícil, citando um conflito com o colaborador Desonnaz (correspondente e colaborador do jornal). Desonnaz teria duvidado da eficácia das curas praticadas pelo zuavo (soldado argelino pertencente a um corpo da infantaria da armada francesa) Jacob, que era defendido pelo Sr. Greslez. Além disso, Picot chegou a mencionar que um jornal parisiense o teria classificado como louco (10).

Greslez foi, por quatro anos, editor-chefe do Journal de Sétif, sem remuneração, substituindo um editor assalariado que se tornaria seu desafeto. Ao final desse período, afastou-se do jornal após enfrentar ataques do proprietário, que se recusou a publicar sua defesa diante de textos ofensivos (6).

Por que me tornei editor do Sétifoen. Acredito que a coisa mais digna que fiz pela causa do espiritualismo foi ter concordado por quatro anos em ser editor do nosso jornal semanal local. Eu não tinha colaboradores. Entende-se que não recebi remuneração alguma, embora tivesse substituído um editor assalariado, que se tornou meu inimigo. O dono do jornal, como recompensa pelos meus serviços, dos quais obteve um bom lucro, teve o prazer malicioso de inserir artigos hostis e, às vezes, insultuosos sobre mim. Ele acabou se recusando a me permitir imprimir uma resposta, o que me forçou a deixar a redação do jornal (p. 37).

Além desse jornal, colaborou com diversos periódicos espíritas como La Voix d’Outre-Tombe, L’Union Spirite de Bordeaux, Le Monde Invisible, Le Messager, Le Moniteur de la Fédération Belgique, La Revue Spirite de Paris e L’Anti-Matérialiste. Suas crônicas também foram publicadas no Le Courrier de Sétif (6, 11).

O Sr. Greslez era casado (12) e teve pelo menos duas filhas. Uma delas, Emilie Clotilde Amanda Greslez (13) foi mencionada por Kardec na carta publicada no Portal (9) e outra, Amanda Louise Emilie Greslez, faleceu em Argel, em 1837, aos 23 meses de idade (6, 14, 15).

Mesmo após a morte de Allan Kardec, seu nome continuou presente na Revue Spirite (16). Em 1888, Gabriel Delanne3 destacou a importância de sua obra Souvenirs d’un spirite, especialmente o capítulo dedicado à “ciência das reencarnações”, elogiando sua dedicação à doutrina, mesmo diante das adversidades (6).

Referências

  1. Árvore genealógica de Armand Greslez. Disponível em: https://gw.geneanet.org/gerard091946?n=greslez&oc=&p=armand+adrien&type=fiche. Acesso em: 08 Ago. 2025.

  2. Atestado de Óbito de Armand Greslez. Disponível em: http://anom.archivesnationales.culture.gouv.fr/caomec2/osd.php?territoire=ALGERIE&acte=456882. Acesso em: 08 Ago. 2025.

  3. GRESLEZ, Armand. Carta Aos Senhores Diretores e Redatores Dos Jornais. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/716769509/Armand-Greslez-Carta-aos-Senhores-Diretores-e-Redatores-dos-Jornais-Antiespiritas?v=0.830. Acesso em: 08 Ago. 2025.

  4. Le Républican. De Constantine. Tribune Algérienne. 10 Année. N. 2.315. 9 Jan, 1887. P. 2. Disponível em: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k5094466v/f1.item.r=Greslez,%20Armand.zoom. Acesso em: 01 Ago. 2025.

  5. Revue Spirite: Journal d'Études Psychologiques. 01 Fev. 1870. p. 56. Disponível em: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k2709650t/f16.item.r=%22Journal%20de%20S%C3%A9tif%22Greslez,%20Armand. Acesso em: 01 Ago. 2025.

  6. GRESLEZ, Armand. Souvenirs d’un spirite. Les faits sont des choses opiniâtres Disponível em: https://www.cslak.fr/images/cslak/bibliotheque/livres/Armand_Greslez/souvenirs_dun_spirite.pdf. Acesso em: 01 Ago. 2025.

  7. KARDEC, A. Revue Spiritie. 9° ANNÉE. N° 4. AVRIL 1866. P. 128. Disponível em: https://www.oconsolador.com.br/linkfixo/bibliotecavirtual/frances/revue-spirite-1866.pdf. Acesso em: 01 Ago. 2025.

  8. Rascunho de carta para o senhor Dumas [07/12/1863]. Projeto Allan Kardec, 2020. Disponível em: https://projetokardec.ufjf.br/item-pt?id=67. Acesso em: 8 ago. 2025.

  9. PICOT. L’African. Journal Politique de Constantine. Ano 17. N. 1301. P. 3. 17 Set. 1867. Disponível em: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k7249427t/f1.item.r=Greslez,%20Armand.zoom. Acesso em: 04 Ago. 2025.

  10. GRESLEZ, Armand. L’Anti-Matérialiste. Organe du Mouvement de la Libre-Pensée Religieuse et Du Spiritualisme Moderne. Ano 3. N. 47. 24 Fev. 1884. Disponível em: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k55027059/f1.item.r=Greslez,%20Armand. Acesso em: 04 Ago. 2025.

  11. Certidão de casamento de Armand Greslez. Disponível em: http://anom.archivesnationales.culture.gouv.fr/caomec2/osd.php?territoire=ALGERIE&acte=27372. Acesso em: 08 Ago. 2025.

  12. Certidão de nascimento de Emilie Clotilde Amanda Greslez. Disponível em: http://anom.archivesnationales.culture.gouv.fr/caomec2/osd.php?territoire=ALGERIE&acte=960603. Acesso em: 08 Ago. 2025.

  13. Certidão de nascimento de Amanda Louise Emilie Greslez. Disponível em: http://anom.archivesnationales.culture.gouv.fr/caomec2/osd.php?territoire=ALGERIE&acte=1208157. Acesso em: 08 Ago. 2025.

  14. Certidão de óbito de Amanda Louise Emilie Greslez. Disponível em: http://anom.archivesnationales.culture.gouv.fr/caomec2/osd.php?territoire=ALGERIE&acte=1261231. Acesso em: 08 Ago. 2025.

  15. Disponível em: https://www.retronews.fr/search?page=1&q=JTdCJTIyc2VhcmNoJTIyJTNBJTdCJTIydHlwZSUyMiUzQSUyMnNpbXBsZSUyMiUyQyUyMmNyaXRlcmlhJTIyJTNBJTdCJTIyc2VhcmNoVGV4dCUyMiUzQSUyMkdyZXNsZXolMjIlMkMlMjJzZWxlY3RlZEZhY2V0cyUyMiUzQSU3QiUyMmRhdGUlMjIlM0ElN0IlN0QlMkMlMjJsb2NhdGlvbiUyMiUzQSU3QiUyMmRhdGElMjIlM0ElNUIlNUQlMkMlMjJzaXplJTIyJTNBNSU3RCUyQyUyMm9yZ2FuaXphdGlvbiUyMiUzQSU3QiUyMmRhdGElMjIlM0ElNUIlNUQlMkMlMjJzaXplJTIyJTNBNSU3RCUyQyUyMnBlcnNvbiUyMiUzQSU3QiUyMmRhdGElMjIlM0ElNUIlNUQlMkMlMjJzaXplJTIyJTNBNSU3RCUyQyUyMnB1YmxpY2F0aW9uSWQlMjIlM0ElN0IlMjJkYXRhJTIyJTNBJTdCJTIyZmlsdGVycyUyMiUzQSU1QiU1RCUyQyUyMnNlbGVjdGVkJTIyJTNBJTVCJTVEJTdEJTJDJTIyc2l6ZSUyMiUzQTUlN0QlMkMlMjJ3b3JrSWQlMjIlM0ElN0IlMjJkYXRhJTIyJTNBJTdCJTIyZmlsdGVycyUyMiUzQSU1QiU1RCUyQyUyMnNlbGVjdGVkJTIyJTNBJTVCJTVEJTdEJTJDJTIyc2l6ZSUyMiUzQTUlN0QlMkMlMjJwdWJsaWNhdGlvbkxvY2F0aW9uJTIyJTNBJTdCJTIyZGF0YSUyMiUzQSU3QiU3RCUyQyUyMnNpemUlMjIlM0E1JTdEJTJDJTIydGhlbWF0aWMlMjIlM0ElN0IlMjJkYXRhJTIyJTNBJTdCJTIyZmlsdGVycyUyMiUzQSU1QiU1RCUyQyUyMnNlbGVjdGVkJTIyJTNBJTVCJTVEJTdEJTJDJTIyc2l6ZSUyMiUzQTUlN0QlN0QlN0QlMkMlMjJwYWdlJTIyJTNBMCUyQyUyMnNvcnQlMjIlM0ElMjJyZWxldmFuY2UlMjIlN0QlMkMlMjJzb3J0JTIyJTNBJTIycmVsZXZhbmNlJTIyJTdE. Acesso em: 04 Ago. 2025.


  1. Pierre-Jean de Béranger (nascido em 19 de agosto de 1780, Paris, França — falecido em 16 de julho de 1857, Paris) foi um poeta e compositor francês de canções populares, celebrado por suas visões liberais e humanitárias durante um período em que a sociedade francesa como um todo passava por mudanças rápidas e, por vezes, violentas. As canções líricas e ternas de Béranger, que glorificavam a era napoleônica recém passada, e suas sátiras que ridicularizavam a monarquia e o clero reacionário, eram escritas em um estilo claro, simples e atraente. Robert Louis Stevenson’s biography on Béranger appeared in the ninth edition of the Encyclopædia Britannica. Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Pierre-Jean-de-Beranger. Acesso em: 30 jul. 2025.↩︎

  2. Suspeitamos que o Sr. Dumas seria Jean Claude Dumas, que nasceu em 1813 em Saint-Victor-sur-Rhins, Departement de la Loire, Rhône-Alpes, França. Ele teria morrido em 19 de dezembro de 1892 em Sétif, na Argélia. Allan Kardec fez diversas menções ao Sr. Dumas na Revue Spirite mencionando que a sua profissão era negociante. No site que localizamos Jean Claude Dumas, também faz menção que esse personagem seria negociante e meteorologista em Sétif. Ele seria filho de Jean Claude Dumas e de Antoinette Desgranges. No Bulletin officiel du Ministère de l'intérieur da França de 1872, também localizamos um Claude Dumas de Sétif. Disponível em: https://pt.findagrave.com/memorial/270250986/jean-claude-dumas#source. e https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k55103846/f164.item.r=%22Dumas%20s%C3%A9tif%22. Acesso em: 08 Ago. 2025.↩︎

  3. François-Marie Gabriel Delanne (1857-1926) nasceu em Paris. Filho de Alexandre Delanne, amigo íntimo de Allan Kardec. Sua mãe também foi médium e colaborou para os trabalhos de Kardec. Ele se formou Engenheiro Eletricista e com 28 anos publicou sua primeira obra espírita O espiritismo perante a Ciência. Desempenhou um importante trabalho na divulgação do Espiritismo com diversas obras e na realização do Congresso Espírita Internacional ao lado de Léon Denis. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/647972980/03-Biografia-de-Gabriel-Delanne-1857-1926. Acesso em: 08 Ago. 2025.↩︎