Carta para o senhor Lourrain - 17/12/1862

De Allan Kardec

Paris, 17, 12 de 1862.

Ao Sr. Lourrain em Lyon,

Não foi senão após meu retorno de viagem que recebi a carta que me quiseste escrever, mas desde então a multiplicidade de meus trabalhos é tal que me foi impossível responder-te com prontidão, e ainda agora não o posso fazer de uma maneira sucinta.

Limitar-me-ei a dizer-te que me surpreende que ainda desejes conhecer a meta, as tendências e os resultados do Espiritismo, os quais não me entreterei em apresentar-te, pois que são óbvios a todos os que realmente desejam ver.

Quanto ao imenso desenvolvimento da doutrina, de que te certifico, fora preciso ser cego para não enxergar aí o dedo de Deus. O Espiritismo seguramente não ofereceu ainda tudo o que pode oferecer, mas cada coisa deve vir a seu tempo; Deus sabe o que convém aos homens, e não cabe pretender saber mais que ele, nem fazer melhor que ele.

Quanto a mim, eu conheço a rota que devo seguir, a meta a que devo tender, e o que me resta fazer; sei quando e como a alcançarei; e não me deixarei deter por influência ou incitação alguma. O passado me prova que não tenho conduzido mal a barca, pois que o Espiritismo está aos dias de hoje implantado em todas as partes do mundo; o porvir proverá o resto.

Minha linha de conduta está claramente traçada na brochura que publiquei acerca de minha última viagem, a qual convido-te a conhecer; ela te poderá edificar sobre certos pontos que pareces ignorar. Deves compreender, meu senhor, que eu não teria podido chegar ao ponto em que cheguei sem longa e séria meditação, e sem ter adquirido qualquer experiência dos homens e das coisas. Lamento não poder doar minha aprovação sobre a forma segundo a qual enxergas a questão e, por consequência, não poder prometer-te a publicação de ideias das quais não compartilho na Revista Espírita.

Receba…

A. K.

Carta para o senhor Lourrain - 17/12/1862

De Allan Kardec

Carta para o senhor Lourrain - 17/12/1862

De Allan Kardec

Paris, 17 X 1862

Monsieur Lorrain à Lyon

Ce n’est qu'au retour de mon voyage que j'ai reçu la lettre que vous avez bien voulu m'écrire, mais depuis lors la multiplicité de mes travaux est telle qu'il n'a été impossible de vous répondre plus tôt, et encore ne puis-je le faire que d'une manière succincte.

Je me bornerai donc à vous dire que je m'étonne que vous en soyez encore à connaître le but, les tendances et les résultats du Spiritisme que je n'entreprendrai pas de vous développer, parce qu' ils sautent aux yeux de quiconque veut se donner la peine de voir.

Quant à cet immense développement de la doctrine, que vous constatez, il faudrait être aveugle pour n'y pas voir le doigt de Dieu. Le Spiritisme n'a certes point encore donné tout ce qu'il doit donner ; mais chaque chose doit venir en son temps ; Dieu sait ce qui convient aux hommes, et il ne leur appartient pas de prétendre en savoir plus que lui, ni de faire mieux que lui.

Quant à moi, je connais la route que je dois suivre, le but auquel je dois tendre, et ce qui me reste à faire ; je sais quand et comment je l'atteindrai; et je ne m'en laisserai détourner par aucune influence ni aucune incitation. Le passé prouve que je n'ai pas trop mal.conduit la barque, puisque le Spiritisme est aujourd'hui implanté dans toutes les parties du monde; l'avenir prouvera le reste.

Ma ligne de conduite est nettement tracée dans la brochure que je viens de publier sur mon dernier voyage, je vous invite à en prendre connaissance ; elle pourra vous édifier sur certains points que vous paraissez ignorer. Vous devez comprendre, Monsieur, que je ne suis pas arrivé au point où j'en suis, sans de longues et sérieuses méditations, et sans avoir acquis quelque expérience des hommes et des choses. Je regrette de ne pouvoir donner mon approbation à la manière dont vous envisagez la question, et, par conséquent, de ne pouvoir vous promettre la publicité de la Revue Spirite pour des idées que je ne saurais partager.

Recevez .....

A.K.

A visualização desta página implica no conhecimento e aceitação de nossos Termos de Uso.