Rascunho de carta para o senhor Ganipel - 10/01/1865

De Allan Kardec para o senhor Ganipel

Ao senhor Ganipel,

Paris, 10 de janeiro de 1865.

Senhor e caro irmão espírita,

Com imenso pesar acabo de saber, pelo senhor Prouhet, que o senhor não recebeu minha carta em resposta à sua, tão amável e afetuosa, que teve a gentileza de me enviar já há muito tempo. E lastimo ainda mais porque meu silêncio foi interpretado pelo senhor como indiferença, a qual eu não poderia ter por um irmão em crença tão sincero e tão atencioso como o senhor. Quando fiz minha viagem por suas terras, lamentei profundamente sua ausência, que me privou da satisfação de apertar-lhe a mão.

Quando o senhor Prouhet me disse que o senhor se espantara por eu não lhe ter respondido, procurei imediatamente sua carta e mostrei a ele a nota escrita à margem, mencionando, como de costume, a data da resposta. Ora, sua carta é de 14 de janeiro; nela está escrito, pela mão de minha mulher: Inscrita e expedida em 15 de janeiro. Isso quanto à sua assinatura da Revista Espírita. Embaixo, está escrito, com a minha mão: Respondida em 20 de janeiro de 1862. Eu tinha certeza de lhe haver escrito, mas tive a alegria de dar a prova material ao senhor Prouhet. Minha carta foi dirigida a Libourne; como não lhe chegou às mãos, é o que ignoro. Em todo caso, estou feliz porque a viagem do senhor Prouhet me permitiu dissipar meu aparente silêncio e renovar-lhe os meus sentimentos de profunda e fraterna simpatia.

Peço-lhe que acredite na atenção e estima de

Allan Kardec.

P.S. Queira aceitar, por gentileza, como reparação, meu retrato em anexo.

Rascunho de carta para o senhor Ganipel - 10/01/1865

De Allan Kardec para o senhor Ganipel

Rascunho de carta para o senhor Ganipel - 10/01/1865

De Allan Kardec para o senhor Ganipel

À M. Ganipel.

Paris 10 janvier 1865.

Monsieur et cher frère spirite,

Je viens d’apprendre avec une peine extrême par M. Prouhet que vous n’avez pas reçu ma lettre en réponse à celle si aimable et si affectueuse que vous avez bien voulu m’écrire il y a déjà fort longtemps. Je le regrette d’autant plus que mon silence a pu être interprété par vous comme de l’indifférence. Or je ne saurais en avoir à l’égard d’un frère en croyance aussi sincère et aussi dévoué que vous. Lorsque je suis allé faire un voyage dans vos contrées j’ai vivement regretté que votre absence m’ait privé de vous serrer la main.

Lorsque M. Prouhet m’eut dit que vous vous étonniez que je ne vous eusse pas répondu, je recherchai immédiatement votre lettre, et lui montrai la note écrite en marge mentionnant, comme d’habitude la date de la réponse. Or votre lettre est du 14 janvier ; il est écrit de la main de ma femme : Inscrit et expédié le 15 janvier. Ceci était pour votre abonnement à la Revue ; au-dessus est écrit de ma main : Répondu le 20 janvier 1862. J’avais la certitude de vous avoir écrit, mais j’ai été bien aise d’en donner la preuve matérielle à M. Prouhet. Ma lettre a été adressée à Libourne ; comment ne vous est-elle pas parvenue ? C’est ce que j’ignore. Dans tous les cas, je suis bien heureux que le voyage de M. Prouhet m’ait procuré l’occasion de dissiper la mauvaise impression qu’a dû faire sur vous mon silence apparent, et de vous assurer de mes sentiments de profonde et fraternelle sympathie.

Croyez-moi je vous prie votre tout dévoué et affectionné,

A.K.

P.S. Veuillez je vous prie accepter, comme réparation, ma carte portrait ci-incluse.

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