Rascunho de carta para o senhor Sabò - 05/04/1864

De Allan Kardec para o senhor Sabò

Paris, 5 de abril de 1864.

Meu caro senhor Sabò,

Pergunta-me o senhor como fazer para encontrar frases com que possa exprimir seu reconhecimento a mim; a isso respondo que o senhor exagera demasiado o valor de alguns testemunhos de amizade e simpatia que já lhe pude dar; o senhor tem amplamente retribuído com o seu zelo pela doutrina e vem lutando com perseverança contra as tribulações com que tem sido posto à prova.

O senhor nada me diz do resultado que sua carta produziu. Estou tentado a crer que ela não terá tido a aprovação das suas senhoras. No entanto, estou convencido de que o senhor um dia se congratulará por esse passo, que seria desejável mesmo ter sido tomado antes. Há circunstâncias em que é preciso saber deixar as coisas antes que elas nos deixem, a fim de ter o mérito. Há tato e política em saber retirar-se no momento oportuno, mesmo no interesse da causa a que se quer servir.

O senhor Barbaut de la Motte me informou do ponto em que está a questão da Companhia; parece que é coisa decidida, e que é apenas questão de tempo, não estando ainda completa a organização, pelo que estou muito contente pelo senhor. Mas, se o senhor crê em mim, faça que em Bordeaux ninguém saiba disso; seria desagradável, entenda bem, bastante desagradável para o senhor que essa questão se tornasse pública. É absolutamente necessário que o senhor fique em Bordeaux, como se devesse aí ficar para sempre; primeiro porque nunca estamos seguros a não ser daquilo que temos em mão; depois, porque uma indiscrição poderia pô-lo num embaraço maior do que pensa. Tenho razões para falar-lhe assim, razões que não posso desenvolver aqui, mas que são ditadas pelo interesse que tenho pelo senhor.

Com dedicação e afeto,

Allan Kardec.

Rascunho de carta para o senhor Sabò - 05/04/1864

De Allan Kardec para o senhor Sabò

Rascunho de carta para o senhor Sabò - 05/04/1864

De Allan Kardec para o senhor Sabò

Paris 5 avril 1864.

Mon cher Monsieur Sabò,

Vous me demandez comment il se fait que vous ne sachiez trouver des phrases pour m’exprimer votre reconnaissance ; à cela je réponds que vous vous exagérez trop la valeur de quelques <témoignages> d’amitié et de sympathie que j’ai pu vous donner ; vous y avez largement répondu par votre zèle pour la doctrine et luttant avec persévérance contre les tribulations que vous avez éprouvées.

Vous ne me dites rien du résultat qu’a produit votre lettre. Je suis tenté de croire qu’elle n’aura pas eu l’approbation de vos dames, et cependant je suis convaincu que vous vous applaudirez un jour de cette démarche qu’il eût été à souhaiter que vous fissiez plus tôt. Il est des circonstances où il faut savoir quitter les choses avant qu’elles ne nous quittent, afin d’en avoir le mérite. Il y a du tact et de la politique à savoir se retirer à propos, même dans l’intérêt de la cause qu’on veut servir.

M.r Barbaut de la Motte m’a informé du point où en est l’affaire de la Compagnie ; il parait que c’est une chose décidée, et que ce n’est plus qu’une question de temps, l’organisation n’étant pas encore complète, ce dont je suis très heureux pour vous. Mais si vous m’en croyez, faites qu’à Bordeaux personne <n’en sache> rien ; il serait fâcheux, entendez bien, très fâcheux pour vous que cette affaire vint à transpirer. Il est de toute nécessité que vous soyez à Bordeaux, comme si vous deviez y rester toujours ; d’abord, parce qu’on n’est certain que de ce que l’on tient, et ensuite qu’une indiscrétion pourrait vous mettre dans un embarras plus grand que vous ne croyez. J’ai pour vous parler ainsi des raisons que je ne puis développer ici, mais qui sont dictées par l’intérêt que je vous porte.

Votre bien dévoué et affectionné,

A.K.

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