Rascunho de carta para o senhor Dumas - 07/12/1863

De Allan Kardec para o senhor Dumas

Senhor Dumas.

Paris, 7 de dezembro de 1863.

Meu caro senhor Dumas,

Respondo-lhe às duas bondosas cartas de 31 de outubro e 30 de novembro e junto à presente uma resposta para o senhor Grelez; eu lhe ficarei grato pelo favor de encaminhá-la a ele. Espero que ela acalme um pouco o seu entusiasmo por vezes irrefletido, como no artigo publicado no último número de L’Echo de l’Archéologie, artigo mais nocivo que útil, no que dá ideia falsa da finalidade do Espiritismo e da missão dos Espíritos que se comunicam.

Estive com a senhora e a filha do senhor Grelez; cá entre nós, fiquei muito pouco contente com elas. A senhora Grelez não parece aceitar de boa vontade a crítica das comunicações. Nas que ela me mostrou, assinalei-lhe erros manifestos que não podiam emanar do Espírito elevado sob o nome do qual tinham sido dadas, e embora outras pessoas presentes hajam pensado do mesmo modo, isso, parece, mais a contrariou do que a convenceu. Na primeira sessão à qual ela assistiu, dei-lhe, em nome da Sociedade, a saudação de boas-vindas, como a um espírita estrangeiro, pedindo-lhe que levasse a nossos irmãos de Sétif a expressão de nossa simpatia; ela não se dignou de testemunhar a menor satisfação. Nessa mesma sessão, foi dada espontaneamente por um Espírito uma notável e tocante comunicação dirigida a ela e à sua filha, na qual se fazia alusão a circunstâncias de família ignoradas do médium. Espantou-me ver que ela não tivesse mostrado desejo de obter a cópia. Em suma, creio que ela se importa mais com o que obtém em Sétif, mesmo com os erros que fariam rir os incrédulos, do que com o que se recebe em Paris. Sua filha é um espírito cético que me parece ter ainda muito que fazer para se tornar espírita sincera.

O fato que o senhor me assinala, na penúltima carta, da aparição de uma moça, é muito notável e me parece concludente. Agradeço-lhe. Sinto muito que o senhor tenha perdido o seu sujet, mas não se desespere; encontrará outros. Noto com prazer que o édito do monsenhor d’Argel teve o resultado previsto, não podia ser de outro modo. Todas as cartas que recebo de Argel falam no mesmo sentido. Estou ciente, por uma boa fonte, de que na França ele foi desaprovado por vários membros do alto escalão do clero, que o olham como um documento inadequado.

Chamo a sua atenção para o número da Revista de dezembro, que vai lhe esclarecer sobre vários pontos importantes.

Apressado pela hora do correio, não tenho mais tempo a não ser para cumprimentá-lo muito fraternalmente.

Seu dedicado,

Allan Kardec.

Veja o verso, por favor.

P.S. No seu relato de aparição, o senhor se serve de uma palavra: fantasma. É preciso evitar se servir dessa expressão nesse caso, pois justificaria a crítica de nossos adversários. A palavra fantasma revela uma ideia supersticiosa que não tem relação com as aparições propriamente ditas.

Rascunho de carta para o senhor Dumas - 07/12/1863

De Allan Kardec para o senhor Dumas

Rascunho de carta para o senhor Dumas - 07/12/1863

De Allan Kardec para o senhor Dumas

M. Dumas.

Paris 7 X 1863.

Mon cher Monsieur Dumas,

Je réponds à vos deux bonnes lettres des 31 octobre et 30 novembre et joins à la présente une réponse pour M.r Grelez ; je vous serai obligé de la lui faire tenir. J’espère qu’elle calmera un peu son enthousiasme parfois irréfléchi, comme dans l’article publié dans le d.r n.o de l’Echo sur l’archéologie, article plus nuisible qu’utile en ce qu’il donne une idée fausse du but du Spiritisme et de la mission des Esprits qui se communiquent.

J’ai vu Mad. et M.lle Grelez ; entre nous j’en ai été médiocrement content. M.e Grelez ne paraît pas accepter volontiers la critique des communications. Dans celles qu’elle m’a montrées, je lui ai signalé des erreurs manifestes qui ne pouvaient émaner de l’Esprit élevé sous le nom duquel elles avaient été données, et quoique d’autres personnes présentes aient pensé de même, cela semble plus la contrarier que la convaincre. Dans la 1re séance à laquelle elle a assisté*, *{je lui ai donné au nom de la Société le salut de bienvenue, comme à un spirite étranger, la priant de reporter à nos frères de Sétif l’expression de notre sympathie ; elle n’a pas daigné en témoigner la moindre satisfaction}. Dans cette même séance, il a été donné spontanément par un Esprit une remarquable et touchante communication à son adresse et à celle [de] sa fille, dans laquelle il était fait allusion à [des] circonstances de famille ignorées du médium. J’ai dû m’étonner qu’elle n’ait pas témoigné le désir d’en avoir copie. En somme je crois qu’elle tient plus à ce qui s’obtient à Sétif, même avec des erreurs qui feraient rire des incrédules, qu’à ce qui s’obtient à Paris. Sa fille est un Esprit fort qui me paraît avoir encore beaucoup à faire pour devenir Spirite sincère.

Le fait que vous me signalez dans votre avant-dernière lettre de l’apparition à une jeune fille, est très remarquable et me semble concluant. Je vous en remercie. Je regrette bien pour vous que vous perdiez votre sujet, mais ne vous désespérez pas ; vous en trouverez d’autres. Je vois avec plaisir que l’ordonnance de M.gr d’Alger a le résultat prévu ; il n’en pouvait être autrement. Toutes les lettres que je reçois d’Algérie parlent dans le même sens. Je tiens de bonne source qu’en France elle a été désapprouvée par plusieurs ecclésiastiques haut placés qui la regardent comme une maladresse.

J’appelle votre attention sur le n.o de la Revue de décembre qui vous éclairera sur plusieurs points importants.

Pressé par l’heure du courrier, je n’ai que le temps de vous serrer bien fraternellement la main.

Votre tout dévoué,

A.K.

T.S.V.P. [Tournez S’il Vous Plaît.]

P.S. Dans votre récit de l’apparition, vous vous servez du mot : fantôme. Il faut éviter de se servir de cette expression en pareil cas, parce que ce serait justifier la critique de nos adversaires. Le mot fantôme réveille une idée superstitieuse qui n’a pas de rapport avec les apparitions proprement dites.

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