Carta do senhor H. Georges - 08/04/1863

Do senhor H. Georges para Allan Kardec

Labastide St. Georges, perto de Lavaur (Tarn), em 8 de abril de 1863.

]Enviado em 14 de abril.[

Senhor Georges.

Senhor Allan Kardec,

Minha inteligência sempre se recusou a aceitar uma ideia, qualquer princípio sobre o julgamento feito por outros, e é a essa independência de opinião que devo meu conhecimento do Espiritismo. No meio de um país retrógrado e fanático, eu tinha, em minhas muito raras viagens, ouvido falar, duas ou três vezes, de médiuns, mas jamais de Espiritismo, até que a Providência quis que um de meus amigos, mais bem favorecido do que eu e vindo em visita aos seus pais, me desse algumas informações vagas sobre essa nova ciência. Com esses dados, fui pesquisar, e foi somente em novembro passado que finalmente pude possuir e tomar conhecimento de O Livro dos Médiuns e o dos Espíritos. Neste último, não importa o que os detratores digam, estão, em minha opinião, os princípios da mais pura moralidade e as bases de uma lógica irresistível. Além disso, devo à leitura desta obra encantadora o meu retorno à Divindade, contra a qual me acuso de ter tantas vezes blasfemado, impulsionado pelas ideias absurdas introduzidas na religião cristã em que nasci.

Como vê, senhor, estou profundamente abalado, mas ainda não me sinto completamente convencido; eu ainda tenho algumas dúvidas, eu preciso ver. No isolamento, eu quis tentar me tornar um médium e minha mão não se mexeu, nenhuma ideia mesmo chegou a atravessar meu cérebro.

Não ousando confessar minha pesquisa sobre Espiritismo, não por medo do ridículo, mas por medo de prejudicar minha clientela, minha única fonte de recurso, despertando contra mim a influência de certas pessoas ligadas aos velhos erros mais pelo interesse do que por qualquer outro motivo, me encontro inteiramente entregue a mim mesmo neste novo estudo. Não vendo, para meu grande pesar, desenvolver-se em mim, pelo menos ainda, nenhum sinal de mediunidade, minha fé está vacilando e sinto a necessidade urgente de conhecer os fatos para poder interromper minhas convicções. É com esse objetivo, e apesar das despesas com minha assinatura deste ano da Revista Espírita, que ainda apelo à minha modesta bolsa para pedir que o senhor me envie os anos 1858, 59, 60 e 1861 desta mesma Revista.

Para não fazer uma despesa tão grande de uma vez, eu poderia ter, é verdade, tomado pouco a pouco, ano a ano, mas a impaciência só me fez preferir impor algumas privações a mim e, assim, poder me beneficiar do desconto oferecido às pessoas que adquirem os primeiros quatro anos de uma só vez. Apresento em minha carta uma ordem postal no valor de 30 francos — representando o preço a que são fixados os quatro anos que peço.

Por favor, senhor, receba minhas desculpas pelo tempo que eu o fiz perder em me ler, e na esperança de poder ser contado em breve entre seus seguidores mais fervorosos, tenho a honra de ser,

Senhor,

Seu servo muito humilde,

H. Georges, médico.

P.S.: Pelo que entendi, essas obras me serão enviadas pelo correio sem aumento de preços, caso contrário, ficaria muito grato se o senhor me informasse.

Carta do senhor H. Georges - 08/04/1863

Do senhor H. Georges para Allan Kardec

Carta do senhor H. Georges - 08/04/1863

Do senhor H. Georges para Allan Kardec

Labastide S.t Georges, près Lavaur (Tarn), ce 8 Avril 1863.

]Expédié le 14 avril.[

]]M. Georges.[[

Monsieur Allan Kardec,

Mon intelligence s’est toujours refusée à accepter une idée, un principe quelconque sur le jugement porté par autrui, et c’est à cette indépendance d’opinion que je dois d’avoir pris connaissance du Spiritisme. Au milieu d’un pays rétrograde et fanatique j’avais, dans mes fort rares voyages, entendu parler, tout au plus deux ou trois fois, de médiums, mais jamais de Spiritisme, lorsque la providence a voulu qu’un de mes amis, mieux favorisé que moi et venu en visite chez ses parents, m’ait fourni quelques vagues renseignements sur cette nouvelle science. Avec ces données je suis allé à la recherche, et ce n’est qu’en novembre dernier que j’ai pu enfin posséder et prendre connaissance du Livre des Médiums et de celui des Esprits. Dans ce dernier, quoiqu’en disent les détracteurs, se trouvent selon moi les principes de la morale la plus pure, et bases <vers> une logique irrésistible. Aussi je dois à la lecture de ce charmant ouvrage mon retour à la Divinité que je m’accuse d’avoir si souvent blasphémé, poussé que j’étais par les idées absurdes introduites dans la religion chrétienne où je suis né.

Comme vous voyez, Monsieur, je suis fortement ébranlé, mais je ne me sens pas encore entièrement convaincu ; j’éprouve encore quelques doutes, j’aurais besoin de voir. Dans mon isolement j’ai voulu essayer de devenir médium et ma main n’a pas bougé, aucune idée même n’est venue encore traverser mon cerveau.

N’osant pas avouer mes recherches sur le Spiritisme non pas par peur du ridicule, mais dans la crainte de nuire à ma clientèle, ma seule ressource, en excitant contre moi l’influence de certaines personnes attachées plutôt par intérêt que par tout autre motif aux anciennes erreurs, je me trouve ainsi entièrement livré à moi dans cette nouvelle étude. Ne voyant, à mon très grand regret, se développer en moi, au moins encore, aucun signe de médiumnité, ma foi est chancelante et je sens le besoin impérieux de connaître des faits pour pouvoir arrêter mes convictions. C’est dans ce but et malgré la dépense de mon abonnement de cette année à la Revue Spirite, que je fais encore un appel à ma très modeste bourse pour vous prier de me faire adresser les années 1858, 59, 60 et 1861 de cette même Revue.

Pour ne pas faire une dépense aussi grande à la fois, j’aurais bien pu, il est vrai, ne prendre que peu à peu année par année, mais mon impatience m’a fait préférer de m’imposer quelques privations et pouvoir ainsi profiter de la réduction offerte aux personnes qui font d’un seul coup l’acquisition des quatre premières années. J’introduis dans ma lettre un mandat vers la Poste de la somme de trente francs — représentant le prix auquel les quatre années que je demande se trouvent fixées.

Veuillez, Monsieur, recevoir mes excuses pour le temps que je vous ai fait perdre à me lire, et dans l’espérance de pouvoir être bientôt compté au nombre de vos plus fervents adeptes, j’ai l’honneur d’être,

Monsieur,

Votre très humble serviteur,

H. Georges Médecin.

P.S. J’ai cru comprendre que ces ouvrages me seront expédiés par la Poste et sans augmentation de prix, s’il en était autrement, je vous serais très obligé de m’en informer.

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