Carta para o senhor Sabò - 10/02/1862

De Allan Kardec ao senhor Sabò

Paris, 10 de fevereiro de 1862.

Meu caro senhor Sabò,

Apresso-me a lhe responder para lhe assegurar que jamais minha boa vontade e minha afeição se esmoreceram um só instante a seu respeito; aprendi muito a estimá-lo e aprecio muito seu zelo e sua devoção à causa do Espiritismo para duvidar um só momento. Acredite sim que, mesmo se houvesse persistido em seu projeto de agir separadamente, eu não deixaria de ter conservado pelo senhor a mais sincera amizade. Tenho por princípio não impor minhas opiniões a ninguém; contento-me em emitir e desenvolver minhas ideias, deixando a cada um aceitá-las ou rejeitá-las segundo as considere boas ou más. Minha carta foi uma consequência desse princípio, e sinto muito pelo incômodo que ela lhe causou; minha intenção era unicamente deixar-lhe total liberdade de ação, e desejo que, ao renunciar aos seus projetos, o senhor não o faça por condescendência pessoal, mas pela convicção que pode haver mais utilidade em agir diferentemente.

Ignoro, como o senhor, o número de comunicações que serão necessárias para formar o volume, mas creio que já temos o suficiente. Envie sempre o que quiser; não nos atrapalhará se houver em demasia; ademais, algumas certamente serão suprimidas, pois é necessário fazer escolhas. Quanto aos retoques, disso eu me encarrego. O que importa, para mim, é que o nome Bordeaux figure na coleção. Não haverá oposição ao que o senhor depois faça com as que não forem publicadas, e, com as novas, uma pequena coleção particular conforme o seu projeto. É inútil copiar as que foram publicadas na Revista, visto que as temos e basta recortá-las. Não há por que se preocupar com aquelas que pretendo pôr em minha obra particular; as que podem ser apropriadas ao assunto são uma escolha que só eu posso fazer.

Assim, veja, meu caro senhor, tudo se pode arranjar para o melhor.

Eu gostaria de acrescentar mais a esta carta, mas vejo que irá me faltar tempo, e como não quero atrasar para lhe escrever, deixo isso para outro dia, talvez amanhã.

Sempre seu devoto e afetuoso,

Allan Kardec.

Carta para o senhor Sabò - 10/02/1862

De Allan Kardec ao senhor Sabò

Carta para o senhor Sabò - 10/02/1862

De Allan Kardec ao senhor Sabò

Paris 10 février 1862.

Mon cher Monsieur Sabò,

Je me hâte de vous répondre pour vous assurer que jamais ma bienveillance et mon affection n’ont été refroidies un instant à votre égard ; j’ai trop appris à vous estimer, et j’apprécie trop bien votre zèle et votre dévoûment à la cause du Spiritisme pour en douter un seul moment ; et croyez bien qu’alors même que vous eussiez persisté dans votre projet d’agir séparément, je n’en aurais pas moins conservé pour vous la plus sincère amitié. J’ai pour principe de n’imposer mes opinions à personne ; je me contente d’émettre et de développer mes idées, laissant chacun libre de les accepter ou de les rejeter selon qu’on les trouve bonnes ou mauvaises; ma lettre était une conséquence de ce principe, et je suis désolé de la peine qu’elle vous a causée ; mon but était uniquement de vous laisser une entière liberté d’action, et je désire qu’en renonçant à vos projets, vous ne le fassiez pas par condescendance personnelle, mais par conviction qu’il peut y avoir plus d’utilité à agir autrement.

J’ignore, comme vous, le nombre des communications qu’il faudra pour former le volume, mais je crois que nous en avons suffisamment. Envoyez toujours ce que vous voudrez ; s’il y en a trop on en sera pas embarrassé ; d’ailleurs il y en aura certainement à supprimer, car il faut faire un choix. Quant aux retouches c’est moi qui m’en charge. Ce qui importe, selon moi, c’est que le nom de Bordeaux figure dans la collection ; rien ne s’opposera à ce que vous fassiez ensuite avec celles qui ne seront pas publiées, et avec les nouvelles, un petit recueil particulier conforme à votre projet. Il est inutile de copier celles qui ont paru dans la Revue, puisque nous les avons et qu’il n’y a qu’à les couper. Vous n’avez pas à vous inquiéter de celles que je compte mettre dans mon ouvrage particulier ; c’est un choix que je puis seul faire pour voir celles qui peuvent s’approprier au sujet.

Ainsi, vous le voyez mon cher Monsieur, tout peut s’arranger pour le mieux.

Je voulais joindre quelque chose à cette lettre, mais je vois que le temps va me manquer, et [ne] voulant pas retarder de vous écrire, je remets cela à un autre jour ; peut-être demain

Votre toujours bien dévoué et affectionné,

A.K.

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